Micro transplante capilar e nova terapêutica para a alopécia

transplante capilar

Estive este mês em consulta de cabelo com o Dr. Rui Oliveira Soares, meu dermatologista há muitos anos, para fazer a consulta de revisão anual da minha alopécia androgenética. Nesta consulta abordámos pela primeira vez o micro transplante capilar e fizemos também uma mínima alteração no meu tratamento para a alopécia androgenética. No início do tratamento, há mais de 10 anos atrás, achava que não era necessário fazer revisões, que só havia uma ou outra alternativa, mas hoje estou a anos luz disso e sei que em cada consulta podemos fazer alterações e procurar novos caminhos.

Micro transplante capilar – o que é e por que foi sugerido?

Como sempre, na consulta de cabelo, avaliamos o cabelo e couro cabeludo com recurso a uma câmara de aumento – o exame de tricoscopia – e com esse exame conseguimos ver os fios miniaturizados (fios com diâmetro mais fino – isso é a alopécia – e onde o objetivo do tratamento consiste precisamente em fazer com que esses fios voltem ao diâmetro normal). Apesar de eu sentir que estou MUITO melhor que há 10 anos atrás (a minha alopécia era mesmo muito visível a qualquer pessoa), na zona da frente, topo da cabeça, é a zona que tem menos cabelo (mas bem mais do que tinha!), embora com o risco ao lado esta situação nem seja particularmente visível. Deixo abaixo uma fotografia que foi tirada há 3 meses, na altura em que fiz o meu botox capilar, e onde se consegue perceber melhor a falta de densidade nessa zona frontal.

O Dr. Rui Oliveira Soares, Secretário Geral do Grupo de Tricologia da Sociedade Portuguesa de Dermatologia, falou-me pela primeira vez em micro transplante capilar precisamente para essa zona. Eu conheço bem o que é o transplante capilar mas não o micro transplante. Tenho um artigo completo no site sobre transplante, que podes ler aqui.

Transplante capilar – sim ou não no meu caso?

O transplante em si nunca foi sugerido pelo Dr. Rui uma vez que tenho uma densidade considerável, já melhorei imenso com o tratamento medicamentoso. Fará sentido em situações de grande perda de cabelo em que com o tratamento medicamentoso não é suficiente para recuperar a densidade (embora seja muito importante referir que o transplante capilar não é uma substituição do tratamento medicamentoso – se este não for feito a alopécia continua a evoluir). No caso do micro transplante capilar, faremos sessões de micro transplante apenas para esta zona que tem menos densidade (é uma área pequena), cerca de 300 fios de cabelo de cada vez, com um intervalo de 6 meses, cerca de 4 a 5 sessões, mas avaliamos consoante os resultados.

Alteração na terapêutica para a alopécia androgenética, para além do micro transplante capilar

É importantíssimo referir que a minha terapêutica foi revista durante vários anos nas consultas anuais. Cada pessoa tem uma história clínica diferente e o único motivo pelo qual partilho o meu exemplo é para mostrar a minha experiência. No entanto a terapêutica e quaisquer alterações devem ser SEMPRE discutidas com o dermatologista (aconselho um dermatologista especializado na área do cabelo). A única alteração feita desta vez foi aumentar a dose diária de minoxidil oral para 1,5 mg (em vez de 1 mg). O meu tratamento atual, após esta última revisão é o seguinte:

  • Espironolactona 50 mg (todas as manhãs)
  • Minoxidil oral 1,5 mg todas as noites
  • Finasterida 5 mg todas as noites
  • Dutasterida 0,5 mg 3 x por semana (à noite, faço 2ª, 4ª e 6ª)
  • Minoxidil tópico colocado diretamente no couro cabeludo e com uma massagem todas as noites (lavo o cabelo todas as manhãs seguintes)
  • Suplementos, mas não têm grande interferência na alopécia, faço-os mais para controlar um pouco a queda de cabelo e dar brilho. Tenho 2 artigos sobre suplementos para cabelo, podes ver aqui e aqui.
Micro transplante capilar – next steps

Vou fazer o micro transplante capilar no início de Dezembro e estou muito curiosa com os resultados que estes pequenos transplantes capilares possam ter na zona da frente e topo da cabeça, onde sinto menor densidade. Em todo o caso, estou mesmo feliz por sentir que hoje em dia a minha alopécia androgenética não limita a minha vida.

Já conhecias o micro transplante capilar?

Fotografia: Márcia Soares

 

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14 comentários

  1. Alice Cabral diz:

    Ola
    Passei a seguir a sua página, por recomendação de uma amiga! De facto, e fabulosa, para quem sofre de alopecia!
    Nunca fiz tratamento, nem suplementos. Fui a um médico, que me receitou um medicamento para a próstata, sinceramente, não tomei. Em relação ao transplante, disse que para o meu caso (genético), não valia a pena!
    Estou mais motivada em relação ao meu aspecto, vou seguir algumas das suas recomendações básicas;
    estou a tomar o Ecophane!
    Por último vou marcar consulta para o seu médico!
    Vamos ver se melhora, pelo menos estou mais animada!
    (Claro que o dinheiro e sempre uma questão importante)!
    Obrigada
    Alice

    1. Joana Alvares diz:

      Olá Alice! Bem-vinda antes de mais! Uma alopécia sem tratamento medicamentoso irá evoluir e o resultado é uma cabeça com cada vez menos cabelo e densidade. O tratamento é muito importante precisamente por esse motivo. Há vários medicamentos e combinações de medicamentos usados e muitos deles off label. Não deves ficar preocupada uma vez que é uma prática muito habitual em medicina, e para além disso os medicamentos são eficazes e seguros. Qualquer dúvida deve ser perguntada ao médico. Estarás muito bem entregue ao Dr. Rui Oliveira Soares. Um beijinho! Joana

  2. Rita Sousa diz:

    Olá Joana, antes de mais obrigada por toda a informação valiosa que partilhas connosco 🙂 tens sido uma referência para mim! Quem me dera ter-te encontrado mais cedo!
    Queria-te perguntar qual a mais valia de fazeres 10 microtransplantes em vez de 1 só transplante.
    A quantidade de cabelo que vais transplantar é muito inferior que é normalmente feito, provavelmente porque não necessitas de tanto cabelo na zona recetora, mas serás submetida a 10 procedimentos, quando poderia ser feito apenas numa vez.
    O Dr. Rui Oliveira explicou o porquê desta escolha? Estou curiosa!

    Obrigada!
    Rita

    1. Joana Alvares diz:

      Olá Rita! Sim, neste caso como é uma zona muito pequena, não faz sentido fazer um transplante generalizado em todo o topo da cabeça (nesses casos chegam a ser transplantados 1.500 fios). É uma área relativamente pequena, por isso a escolha por este tipo de procedimento (além de que minimamente invasivo). Um beijinho! Joana

  3. Helena Silva diz:

    Olá Joana, percebi bem que fazes toma oral continuada de espironolactona, finasterida, dutasterida e minoxidil, certo? A minha pergunta é se a tua pilosidade corporal tem aumentado.
    Obrigada, Helena

    1. Joana Alvares diz:

      Olá Helena! Notei um leve aumento na zona das “patilhas”, mas entretanto e depois de pensar em várias formas de eliminar esses pêlos (e não ter tido sucesso com um creme específico indicado em consulta), decidi experimentar o laser uma vez que os meus pelos são escuros, e prometo falar sobre a minha experiência em breve. Faço notar que o laser no rosto deve ser pensado e discutido com o médico assistente e existem várias precauções. Um tema que vou aprofundar assim que possível. Um beijinho, Joana

  4. Carla Paiva diz:

    Olá Joana, foi um verdadeiro achado encontrar esta página! Deixei completamente de consultar “blogs” sobre tratamentos para o cabelo.
    Também tenho alopécia e neste momento estou com uma quada mais acentuada. Terei nova consulta de dermatologia em meados de Janeiro.
    Como vi que recomendas alguns produtos da Lazartigue, gostaria de saber qual a tua opinião sobre os séruns anti-queda da marca. Será que serão eficazes neta fase?
    Um beijinho
    Carla

    1. Joana Alvares diz:

      Olá Carla! Viva! E bem-vinda! Não usei ainda os séruns da marca, mas sou fã da Lazartigue. A queda depende de inúmeros fatores e deixo aqui a sugestão de três artigos para leres sobre este tema: https://www.beautyst.pt/cabelo/10-estrategias-no-tratamento-da-queda-de-cabelo , https://www.beautyst.pt/cabelo/o-stress-e-o-impacto-na-queda-de-cabelo-o-que-fazer e ainda https://www.beautyst.pt/cabelo/queda-de-cabelo-normal-ou-defluvio-telogeno-cronico Um beijinho! Joana

  5. Silvia diz:

    Olá, Joana. Que prazer encontrar este canal!! Sou brasileira portadora de alopecia androgenetica descoberta aos 19 anos. Após muita luta usando Minoxidil oral e local, finasterida, espironolactona, PRP(plasma rico em plaquetas) meus cabelos estavam bem bonitos. Em 2021 aos 60 anos fui diagnosticada com câncer(cancro) de mama. Após cirurgia e remoção do tumor fui proibida de usar espiro e finasterida.
    Meus cabelos estão caindo muito, muito.
    Quando procurei um cirurgião há muitos anos para transplante me foi dito que não tenho área doadora.
    Mas, sabe me informar se nos micro transplantes houve alguma mudança? Foram retirados fios da sua área doadora?
    Desde já agradeço muitissimo sua atenção e gentileza se puder me dar qualquer informação
    Grata
    Sílvia

    1. Joana Alvares diz:

      Olá Sílvia, sim, no meu caso foram retirados da minha zona dadora que não é fantástica. Por isso mesmo se optou pelo micro transplante e não pelo transplante. Aconselho que sejas vista por um dermatologista que se especialize na área do cabelo. Um beijinho grande!

  6. Magda Maria Oliveira diz:

    Olá queria agradecer à Joana e louvar por partilhar connosco os seus tratamentos e evoluções.
    Comecei a ler o artigo mas não pensava que iria ter descrito o seu tratamento em termos medicamentosos e embora sabendo que cada caso é um caso e deve ser avaliado individualmente pelo médico, para mim é muito importante e valioso a partilha dos tratamentos efetuados pois vamos adquirindo mais informação sobre a alopécia.
    Mais uma vez muito obrigada Joana, bem aja pela partilha, fiquei muito feliz. Um beijinho, Magda.

    1. Joana Alvares diz:

      Muito obrigada Magda. Sim, de facto o importante é que o tratamento medicamentoso seja indicado pelo dermatologista de acordo com as características individuais. Um grande beijinho, Joana

  7. Rita Cardoso diz:

    Olá Joana, ontem tive consulta com o Dr Rui Oliveira Soares e ele recomendou-me o transplante médio de 1500 fios. Porque é que no caso da Joana recomendou vários micro transplantes? O meu caso é extremamente parecido com o seu, incluindo a zona da falta de cabelo. Tenho 47 anos e alopecia androgenetica desde os 18 anos. Mas só agora resolvi ver o que se podia fazer em relação a isto. Parabéns pelo blog e pela explicação tão minuciosa e sincera dos procedimentos. Gostava de continuar a acompanhar a evolução.

    1. Joana Alvares diz:

      Rita, viva! Não te consigo responder, só mesmo o médico é que poderá esclarecer-te. Perguntaste na consulta? Um grande beijnho, Joana

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