Queda de cabelo no feminino – é possível ter mais cabelo? (segundo o dermatologista)

queda de cabelo

A queda de cabelo no feminino é um assunto que está na ordem do dia. Toda a gente fala dela MAS pode esconder algo mais. Este tipo de queda mexe com a nossa auto-estima, não só porque o cabelo desempenha um papel importantíssimo na imagem da mulher, como também porque sistematicamente pensamos que a calvície, por exemplo, é um assunto só de homens. E não é. Falo na primeira pessoa, com a doença crónica que tenho, a alopécia androgenética e que é tão comum entre mulheres também! Não é mais do que uma calvície, embora homens e mulheres tenham padrões diferentes desta patologia. Mas, é possível ter mais cabelo? Em conversa com o Dr. Rui Oliveira Soares, o meu dermatologista de cabelo, explicou-me que 1 em cada 5 mulheres podem ter uma alopécia. É também importante verificar se a queda de cabelo é fora do normal. Mas é possível tratar e optar por várias abordagens. Deixo o alerta: quanto mais cedo tentares diagnosticar o problema, melhor, porque há doenças em que a perda de cabelo acontece de forma irreversível. Não esperes mais um dia se tens dúvidas.

Vergonha?

A calvície é igualmente frequente em homens e mulheres. Então por que não falamos mais nós, mulheres, deste problema? A vergonha é sem dúvida a razão número um. Raras são as mulheres que falam deste tema. Mesmo com pessoas próximas. Falamos de queda mas não dizemos que estamos a perder cabelo. Falamos de queda de cabelo no feminino com alguma ligeireza. Mas uma simples queda pode esconder uma doença de cabelo. A este propósito, recordo a entrevista que fiz à atriz Alda Gomes, que podes ler aqui. Numa conversa honesta sobre esta questão e em que eu e a Alda passámos mais de metade do tempo a falar de tratamentos para cabelo.

queda de cabelo

Um dos locais onde podes pesquisar esta e outras doenças de cabelo e de pele, é na página da Sociedade Portuguesa de Dermatologia, que tem informação correta e isenta sobre o tema. Podes ver mais aqui. Vê o capítulo “Calvície e Outras Alopécias”. O que diz então o especialista de cabelo, Dr. Rui Oliveira Soares, a este respeito?

P: O meu couro cabeludo está cada vez mais visível. Tenho receio de perder ainda mais cabelo. Há alguma coisa que eu possa fazer?

R: O couro cabeludo pode tornar-se mais visível por três motivos:

  1. Por cair muito mais cabelo que o habitual num curto período de tempo (ex: pós-parto, cirurgia, doença ou dieta). No caso de ser esta a causa da perda de densidade o tempo vai corrigi-la, por se tratar de fenómeno transitório. Se a fase de perda de cabelo não cessar deve consultar o seu médico e corrigir o que for possível (ex: carência em ferro).
  2. Calvície comum (alopécia androgenética): é a causa mais frequente de perdermos densidade e consequentemente de vermos mais o couro cabeludo. É igualmente frequente em homens e mulheres. Os tratamentos são mais eficazes em fases iniciais do problema e daí a importância de ser diagnosticada cedo (a tricoscopia, técnica de aumento, ajuda ao diagnóstico em fase precoce): localmente o minoxidil e em comprimidos medicamentos anti-androgénicos (o mais usado é a finasterida). O transplante é uma boa opção nalguns casos selecionados em fases avançadas (homens e mulheres).
  3. Doenças de pele que afetam o couro cabeludo com atingimento primário da fábrica que produz o cabelo (folículo) pelo processo inflamatório, a mais frequente das quais o líquen plano pilar. Nestas, é fulcral o diagnóstico atempado pelo dermatologista, já que a perda do folículo é definitiva.

Rui Oliveira Soares (dermatologista)

queda de cabelo

O meu tratamento já passou por inúmeras fases. Já mudei de terapêutica diversas vezes e conto partilhar por aqui alguns dos esquemas posológicos, como já falei aqui bem como o erro que fiz durante este processo.

Muitas mulheres, mas mesmo MUITAS já tiveram o seu diagnóstico depois de terem visto publicações minhas aqui no site e nas minhas redes sociais e terem decidido discutir o assunto com um especialista em cabelo (dermatologista). Tens dúvidas sobre o que se passa com o teu cabelo? A queda de cabelo no feminino é algo que mexe contigo ou com uma familiar tua? Procura o médico certo pois isso fará toda a diferença.

Fotografia: Yellow Savages

Na última fotografia deste artigo podes ver parte da minha mancha de nascença (vai desde a mão direita até às costas). Quando era mais nova incomodava-me bastante. Com o tempo aprendi a aceitá-la. Acho-a única e decidi partilhá-la aqui. 

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2 comentários

  1. Marília Baptista diz:

    Olá!
    Eu sofro de muita queda, há muitos anos, e já tenho o meu cabelo muito fino, começa mesmo a ver-se o couro cabeludo em algumas zonas. Entretanto, fui recentemente, a uma dermatologista que me receitou Cistitone cápsulas e Minoxidil em spray para aplicação local.
    Acontece que tomo as cápsulas mas o spray não, pois fiquei com receio de aplicar, após ter lido acerca dos seus efeitos secundários (como nascimento de pêlos noutras zonas do corpo e possibilidade de fraqueza física).
    Terão estes meus receios fundamentos? Deverei tentar o tratamento completo?
    Muito obrigada! E um bem-haja por partilhar estes conhecimentos connosco!

    1. Joana Alvares diz:

      Olá Marília! Pelo que descreves pareces ter uma alopécia androgenética, tal como eu. Há várias opções terapêuticas e o minoxidil não é a única. Esse é um efeito secundário que pode existir no entanto é numa percentagem de mulheres, não em todas. No meu caso não notei essa questão, já tinha alguns pelos faciais que se mantiveram. No entanto, se tens uma alopécia e não fazes tratamento medicamentoso, a doença irá evoluir. Os suplementos vitamínicos não são suficientes. Devo referir que conheço bem a área do medicamento, compreendo os receios das pessoas, mas os medicamentos têm uma relação risco benefício e quando são prescritos claramente que o benefício suplanta o possível risco. Infelizmente pelo desconhecimento da lei do medicamento cada vez mais há casos de pessoas que optam por não tomar a terapêutica instituída pelo médico, com TODOS os inconvenientes que isso traz. Recordo também que TODOS os efeitos secundários de um medicamento, como é o caso do minoxidil, estão descritos porque na fase dos ensaios clínicos todos e quaisquer efeitos reportados, mesmo que não diretamente ligados à toma do medicamento, têm obrigatoriamente por lei de estarem descritos no folheto informativo e resumo de características do medicamento. Mas os medos que existem na toma dos medicamentos trazem muitas limitações às vidas das pessoas. Eu recordo que graças aos medicamentos foi possível estender a esperança de vida em 20 anos nas últimas décadas. Devemos ter medo disso? Um grande beijinho e qualquer dúvida estou por aqui. Joana

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