Alda Gomes: Não tenho cabelo para protagonista

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Desde miúda que tenho um fascínio pela Alda Gomes. Atriz de mão cheia, olhar doce, personagens apaixonadas. Desde miúda que percebi que a Alda Gomes tem um problema de cabelo, pois eu própria tenho e identificava-me com essa questão nada fácil para uma mulher. Quando recebi o sim da Alda para a entrevistar e falarmos sobre o tema cabelo, um tema sensível para ambas, fiquei muito, muito feliz! O dia em que a conheci foi um dia muito especial. Foi uma dupla entrevista, em que a Alda me fez tantas perguntas quanto eu a ela! A frase que me marcou mais foi quando referiu: Não tenho cabelo para protagonista. Este é o testemunho real sobre o seu cabelo.

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P: Alda, como é para ti lidar com teu cabelo e a tua profissão?

Alda Gomes: Com 20 e poucos anos vim para Lisboa trabalhar. Quem faz televisão e, em Portugal (não falando de outros países) são mulheres com cabeleiras fartas. Ninguém tem o cabelo curto. Há 20 anos atrás era muito complicado. Mesmo na minha forma de estar. Aquele “cheguei e estou aqui”. Não. Nunca tive isso. Quando eu chegava a uma cadeira de cabeleireira para começar uma caracterização eu sentia-me péssima, péssima. Porque havia sempre comentários: “O teu cabelo é tão ralinho, isto vai-se notar”. Então pintavam-me o cabelo de ruivo, por causa das minhas sardas. Com os projetores notava-se mais a zona ralinha. Noutro projeto diziam-me para cortar o cabelo. Sempre super curto. “Vamos disfarçar”. Eram sempre os outros, as outras mulheres que decidiam o que eu fazia ou não. Tinha este sentimento de ser menos, ter menos, ter um defeito. Apesar de me dizerem que tinha uns olhos muito bonitos e de imprimir muito bem no ecrã. Imprimir significa que em grande plano a minha imagem e os meus olhos projetam uma mensagem que se quer passar. Então na altura, pegavam em sombras dos olhos e colocavam no couro cabeludo. Sentia-me sempre tão mal com isto. Já me sentia enfraquecida. E durante muito tempo sentia-me menos mulher. No meio da TV, sempre a falar deste assunto, eu sentia-me muito mal. Isto durou até aos meus trinta e tal anos. E eu vejo fotografias minhas dessa altura em que me custa, porque vejo que estou reduzida a um cabelo mais curto, a uma cor que não me sentia eu. Se ao menos houvesse alguma informação nessa altura! Começou logo aqui, no meu trabalho. E tive muitas vezes pressão por causa disto.

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P: Quando percebeste que tinhas um problema de cabelo? Com que idade?

R: Por volta dos 17, 18. Foi logo nessa fase. Sempre fui muito loirinha e usava sempre o cabelo comprido. Mas houve uma fase, com problemas familiares, e de um momento para o outro as pessoas começaram a comentar. Mesmo no cabeleireiro começaram a dizer que eu tinha o cabelo mais fraco. Caía-me imenso cabelo. Foi por volta dessa idade. Até aos dias de hoje, mas já estou mais tranquila. Mas isto apanhou uma fase difícil, em que me tornei uma mulher adulta. E a minha profissão. Estou a culpar também a minha profissão, apesar de ter muitas coisas boas, atenção, mas fisicamente houve muitas coisas que me afetaram devido à maneira como me senti. Sentia-me menos, menor. Mas sinto que pelo facto de pensar nisso constantemente, de pensar que era menos, que não era bonita, prejudicou-me bastante. Não só ao nível de ainda me cair mais cabelo, mas também de saúde. Daí a volta que tive de dar na minha cabeça.

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P: De que forma é que este problema mexe/mexeu com a tua autoestima?

R: Somos crianças com aquela idade, com 17. Somos imaturas. A minha pergunta era: porque é que a minha irmã tem um cabelo comprido, bom? A minha mãe, também! Todas as pessoas da minha família tinham muito cabelo. O meu avó materno tinha cabelo ralinho, mas sem ser careca. Pensei que isto iria passar um dia. Mas com os anos não passava. Com o tempo havia alturas em que tinha mesmo pouco cabelo. Havia alturas em que tínhamos de manter o raccord, e por isso tinha de estar a pintar muito frequentemente. O raccord é nós fazemos hoje uma cena e dali a umas semanas vamos ter que continuar a mesma cena, por isso o cabelo tem de estar igual, as unhas tinham de estar iguais. Por isso este castigo de pintar o cabelo, o castigo na raiz e nos comprimentos (ou ruivo ou louro platinado – eram as cores para o meu trabalho) foi difícil.

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Hoje o que sinto… fiz alguns tratamentos, entretanto. Fiz mesoterapia e em 2012 fiz um transplante que não correu muito bem. O cabelo voltou a cair. O que voltou a crescer não foi o que era suposto. Nesse mesmo mês eu separei-me e tudo…. Ainda hoje eu sinto uma ligeira impressão numa zona do couro cabeludo, devido ao transplante. É uma sensibilidade que eu não tinha. Fico a pensar: será que isto era necessário na altura? Na altura os médicos da Clínica Saúde Viável aconselharam-me. Mas não sei se fiz bem. Na mesma clínica fiz mesoterapia, não me quis meter noutra cirurgia. Foi talvez em 2014/2015. Despontaram alguns cabelos. Depois não fiz mais nada. Talvez umas ampolas da Dercos, da Vichy. Eu e o meu namorado fazemos em conjunto e deixamos tudo a meio. É mais dinheiro… hoje lido com isto doutra forma. Na altura eu estava a entrar por um caminho em que tinha que estar tudo perfeito, e visualmente o meu cabelo tinha de estar perfeito (e não estava!). Hoje já lido doutra forma, com muito mais tranquilidade. Quando me vejo em séries, em curtas metragens, aquele cabelo não era eu, estava sempre camuflado. E eu ter começado a falar sobre isto? Comecei por dizer: “Não tenho cabelo para ser protagonista!”. Vamos olhar para a Rita Pereira, a Diana Chaves, a Cláudia Vieira, a Fernanda Serrano, todas com cabelo bonito. Eu assumi muito cedo isto, não tenho cabelo para protagonista.

alda gomes

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P: Estás diagnosticada e tratada por dermatologista?

R: Não. De maneira nenhuma. Procurei há uns 3 anos atrás uma dermatologista que me prescreveu minoxidil. Tomei umas cápsulas. Mas foi só uma consulta de “urgência”. O meu namorado disse-me: “Tu estás mesmo a ficar com pouco cabelo”. Então fui, aliás, fomos os dois e fizemos a consulta os dois. Também tem o cabelo a ficar ralinho. Ele fez a consulta, mas não fez nada do que lhe pediram. Eu fiz. Senti que me fez bem. Além da Saúde Viável, que me fez o transplante e a mesoterapia, depois deixei de fazer qualquer tipo de seguimento. Foi uma consulta pontual. Não estou a ser acompanhada. Não me sinto a entrar num caminho de obsessão. Mas nunca nenhum médico me deu um diagnóstico. Sabes que nas redes sociais me perguntam se eu tenho alopécia androgenética, mas eu não sei se tenho essa doença. Recebo muitas mensagens de mulheres em desespero e tenho muito receio de aconselhar o que quer que seja. Porque até podemos ter a mesma doença, mas o tratamento não tem de ser igual para todas as pessoas. Por isso não dou esse tipo de conselhos. Mas agora que me estás a explicar melhor tudo isto, apetece-me ir a correr para o médico e olhar para isto com outros olhos.

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P: Que tipo de tratamento fazes numa base regular/diária?

R: Não faço. Tenho lá os frasquinhos de minoxidil. Mas nem os usei até ao fim. Aquele produto faz uma ligeira descamação no couro cabeludo, e lembro-me que tinha uma participação para fazer, e parei o minoxidil porque não queria ter essa sensação no couro cabeludo. Coçava-me um pouco, então nunca mais peguei. Mas lembro-me que na farmácia me disseram que tinha de fazer todos os dias.

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P: O que é para ti um good hair day?

R: Não é hoje! (risos!) É um dia de cabeleireiro. Normalmente, quando lavo o cabelo deixo-o secar por ele só, que é o que tenho feito agora, quando não estou a trabalhar ou não faço televisão. O que faço é “desleixar-me”. Eu sei que é horrível. Mas vamos lá relaxar. Eu tenho um protocolo de tratamento da Kérastase que faço na Maria Lourenço Cabeleireiros. Cada vez que vou lá, faço um spa no cabelo, no couro cabeludo. Fazemos tratamentos. E fico tranquila. Eu lavo o cabelo em casa e quando o deixo secar por ele, fica horrível! Fica frisado! Agora que ele tem mais comprimento (sim porque há mais de 10 anos que não o tinha assim tão comprido) o que faço é, pego num daqueles elásticos de espiral e prendo o cabelo. Como não estou habituada a tê-lo comprido fico sempre desejosa de o prender. Ele nunca fica muito bonito. Por isso tem mesmo que ser um desses dias de cabeleireiro, sem laca (peço sempre para não colocarem porque pesa!). Por isso esses good hair days têm de ser quando vou fazer uma produção, vou trabalhar, ou quando vou para um evento. Se durante uma semana ou durante 15 dias não for a lado nenhum, não tenho de lavar todos os dias, e enrolo-o. Com esse tempo livre dou-lhe um descanso. Olha, a minha irmã tem um cabelo escuro, assim como o teu, e usa sempre o risco ao meio, que fica muito bonito (mas eu não consigo fazer risco ao meio, não dá!). Por exemplo, na praia, ele fica muito mal, e já sei que tenho de andar com ele preso.

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Revi-me em tantas palavras da Alda! Era capaz de ficar a falar com ela o resto da vida sobre este tema. Durante esta entrevista eu expliquei-lhe muitas coisas, falei-lhe sobre seguimento médico, tratamentos. A Alda perguntou-me tantas e tantas coisas e uma coisa é certa, vamos ainda falar muito mais sobre este assunto, nós duas! Fica atenta!

Fotografia: Márcia Soares

Coffee break: Bit by Bit

Espaço: Agência Glam

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