Burnout – o que é e como iniciei uma nova vida

burnout o que é

Para quem ainda só chegou a este projeto mais recentemente, um dos motivos que me levou a fundar este projeto foi também uma paragem obrigatória na minha devido a um burnout. O que é o burnout? Já falei aqui sobre os primeiros sintomas, aqui enquanto mãe ausente para os meus filhos. Também falei aqui sobre os primeiros passos que dei para sair do burnout e que foram determinantes. Hoje vou explicar como iniciei uma nova vida.

Perdida aos 40 anos

Desde cedo que a minha médica de família (que literalmente me salvou) me fez pensar que eu não devia voltar a trabalhar numa empresa como aquela onde eu estava. Que era melhor procurar outro emprego. Ela olhava para mim com pena e eu pensava que quase com 40 anos, e com tantos desafios, com filhos e uma vida a andar à velocidade de um avião, como é que eu podia mudar? Senti-me perdida e frágil nesse momento. Se eu não voltava àquele emprego, como é que dava a volta? Acima de tudo estava enrolada numa tremenda infelicidade, mas a tentar corresponder às expectativas, estoirada e sem rumo.

Wake up call – o que é o burnout?

Um colega disse-me uma vez depois de umas férias de verão: “No final das férias parece que a vida vai acabar, mas depois no 1º dia de trabalho, habituo-me.” E isto ecoou na minha cabeça durante meses, até que pensei que eu era também assim! Habituava-me a viver infeliz. Não tinha tempo sequer para a minha família ou a minha vida. Não tinha saúde e isso já fazia parte. E trabalhava de forma desumana. Não conseguia dormir uma noite bem. Esquecia-me de tudo. Sentia-me muito triste e não tinha vontade de estar com ninguém. Tinha uma sensação permanente de profundo cansaço. O que é o burnout? É isto.

burnout

Como dei a volta ao burnout?

Passaram-se mais de 3 anos desde o primeiro dia em que fui ter com a minha médica de família, em aflição, e o dia em que escrevo estas linhas. Entretanto comecei um longo trajeto de recuperação. Comecei a fazer exercício físico, tão importante para a minha cabeça. Segui sempre a medicação (que teve de ser alterada algumas vezes, por questões dermatológicas associadas como excesso de transpiração e perda de cabelo, inclusivamente – mas depois dos acertos necessários a medicação foi muito importante para passar esta fase). Fui acompanhada durante muito tempo em Medicina Geral e Familiar e em Neurologia, pelas sequelas cognitivas. Neste processo de recuperação, passei a ver as minhas amigas. A não sentir vergonha de ter estado infeliz e a falar com elas sobre isso. Comecei a acompanhar verdadeiramente os meus filhos e a fazer parte da vida deles . Foi um processo muito longo, mas fiz um caminho tão importante, que todos os medos que sentia no início deram origem a todas as certezas, e a maior de todas: ter de volta a vida nas minhas mãos.

Projeto que nasce da procura interior

Fiz 1 ano de psicoterapia que foi fundamental para definir um rumo para mim. Eu, aos 40 anos, queria mudar de vida. Difícil. Muito difícil. Foi a psicóloga que um dia me perguntou: “O que quer fazer, Joana? Não tem de responder agora. Vá pensar e depois diga-me.” E pensei, pensei muito e sabia que queria fazer um projeto digital, escrever para outras mulheres, ajudá-las de alguma maneira, falar de cabelo, de envelhecimento, de pele, de corpo, e fazer algo verdadeiramente útil e diferente. Foi neste percurso infindável que o projeto Beautyst passou a ser um projeto real na minha cabeça. Para mulheres como eu. Que não são perfeitas. Quando falei com o Dr. Rui Oliveira Soares e com a Dra. Marisa André, os primeiros médicos a quem apresentei este projeto (isto já foi há mais de 2 anos atrás), disseram-me logo que sim, que queriam fazer parte de um projeto onde se veicula informação credível.

Estou feliz, muito feliz. Este processo foi todo muito complicado para mim, mas hoje sinto-me outra. Dizem-me que eu tive coragem, mas eu não tive foi alternativa. Ter a minha saúde e vida de volta foi crucial. Hoje trabalho mais horas neste projeto do que em qualquer outro emprego que tive. Mas sou eu que organizo e oriento tudo de forma a sentir-me saudável e positiva. Sempre!

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Espero ter-te ajudado a ver esta dura realidade, que é tabu, e de que ninguém fala. Já alguma vez passaste pelo mesmo?

Fotografia: Yellow Savages

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2 comentários

  1. Sónia Pereira diz:

    Olá boa tarde, ao ler as suas palavras não pude deixar de me rever em muitas delas, trabalho há 17 anos numa Empresa como Gerente de loja, não é o Emprego dos meus sonhos mas sempre dei muito de mim, entreguei me msm ao Emprego e passei a viver pra ele, trabalhava com a minha equipa há imensos anos e tudo corria bem. Deixei a maternidade para mais tarde, tudo em prol do trabalho, pois não me imaginava tanto tempo longe dele… Mas como eu e o meu marido queríamos ser pais, engravidei e tive o meu único filho aos 37 anos. A partir daí, o que deveria ser o momento mais lindo da minha vida, foi dos momentos mais complicados, o facto de estar tanto tempo desligada da loja criou me uma grande depressão e ansiedade, comecei a comer compulsivamente e engordei 20 kg, na gravidez só engordei 5 kg e estava ótima, o pior foi msm depois… A minha equipa foi se despedindo pois não aguentaram a pressão dos novos superiores e eu qdo voltei tive de lidar com miúdas novas que tinham ali colocado, sem qlqr interesse e responsabilidade, continuei na luta, mas comecei a aperceber me com o tempo que algo não estava bem, abdiquei muitos dias das horas de amamentação a que tinha direito e só pensava no trabalho, deixei de conseguir dormir e começaram os ataques de pânico noturnos e depois passaram a ser a qlqr hora, deixei de querer ver todas as pessoas e já nem conseguia cuidar do meu menino, mas sempre a achar que conseguia superar sozinha e sem fármacos… Enganei me… Comecei com muitas falhas de memória e colocava post it’s por todo o lado, no trabalho comecei a sentir me inferiorizada pois as pessoas apercebiam se. Neste momento estou com 41 anos e de baixa há 1 ano e meio, com vontade de mudar a minha vida,de trabalho. mas o peso da idade, o medo de fracassar e não cobseguir e a responsabilidade de ter um filho para criar, têm me impedido de mudar e agir. Nunca me imaginei estar a passar por uma grande depressão, após 17 anos de tanta dedicação e nunca ter faltado sequer um dia… Hoje penso será que valeu a pena, ter destruído a minha saúde? sim porque trouxe me vários problemas de saúde e principalmente não ter aproveitado o tempo com o meu filho, já tem 4 anos e o tempo voou… Não completamente não, espero um dia conseguir mudar a minha vida e voltar a sentir me feliz num Emprego que faça sentido pra mim e que não exijam tanto das pessoas… Obrigada por partilhar a sua experiência e obrigada por me deixar partilhar a minha 🙏❤️

    1. Joana Alvares diz:

      Muito obrigada, Sónia, pela tua partilha. Sem dúvida que muitas mulheres se irão identificar com as tuas palavras. Um grande beijinho, Joana

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