Queda de cabelo e calvície: tratar ou não?

queda de cabelo

Este é um tema importantíssimo no que diz respeito ao cabelo e que mais questões faz surgir no âmbito deste projeto Beautyst, uma vez que eu própria tenho uma alopécia androgenética, tratada por médico dermatologista. A queda de cabelo e a calvície afetam tanto homens como mulheres, embora no caso das mulheres muitas vezes seja assunto tabu e pouco ou nada falado, embora muito frequente. Quantas mulheres já sentiram muita queda de cabelo, cabelo mais fraco ou ralo, zonas da cabeça com menos cabelo? A este nível, o Dr. Rui Oliveira Soares, apresentou uma palestra muito interessante nas Jornadas de Dermatologia e Dermocosmética em Medicina Familiar, onde abordou este assunto. Queda de cabelo e calvície: tratar ou não?

queda de cabelo

Gostamos de ter cabelo? Então faz sentido tratar

Dr. Rui Oliveira Soares: A calvície não é uma doença. A calvície ou falta de cabelo (alopécia) é um estado final que pode ter sido provocado por doenças muito variadas. O ter cura ou não depende do tipo de problema que provocou a falta de cabelo. O título é uma provocação, já que a maioria das pessoas gosta de ter cabelo, e nessa medida faz sentido tentar tratá-la. A calvície nas mulheres tem um impacto psíquico e social enorme. Em termos de perda de qualidade de vida é equiparável a uma doença neoplásica (cancro). Este efeito devastador não é tido em conta pelo Estado na comparticipação de tratamentos médicos e cirúrgicos, bem como na compra de próteses capilares. Todos os agentes ligados à saúde deveriam sensibilizar decisores, já que a definição de saúde da Organização Mundial de Saúde (OMS) engloba os componentes psíquico e social.

queda de cabelo

queda de cabelo

Cada doença de cabelo, um tratamento específico

Cada doença tem um tratamento específico. No caso da calvície comum (alopécia androgenética) os tratamentos mais úteis são o minoxidil, os medicamentos anti-androgénicos e o transplante de cabelo. Na alopécia areata (doença que a maioria das vezes cursa com peladas) o medicamento mais usado é o corticoesteróide (tópico, intra-lesional ou tomado). Numa alopécia de causa carencial teremos que repor o componente deficitário (ferro, por exemplo). No caso de um lúpus eritematoso discoide os anti-maláricos serão o tratamento mais útil. Ou seja, como em todas as áreas da medicina, dependendo da doença o tratamento será diferente. Também o estado de saúde do paciente e a expressão variável de cada doença em cada um fazem variar o tratamento escolhido.

queda de cabelo

queda de cabelo

Sinais a que devemos estar atentos

Quando se deve procurar ajuda especializada? Que sinais devem as pessoas identificar? Na presença de queda exagerada (comparação com o habitual), se houver áreas sem cabelo, redução de densidade, alteração da pele do couro cabeludo – escamação, vermelhidão, etc – ou sintomas – dor, ardor, disestesias, tricodinia, comichão, etc.

queda de cabelo

Como se chega ao diagnóstico?

Ao diagnóstico chega-se na maioria dos casos ouvindo o paciente e observando-o. A tricoscopia (exame de visualização em aumento do couro cabeludo e dos cabelos) é muito útil. Permite diagnosticar em fases muito iniciais a calvície comum (alopécia androgenética) não visível a olho nu por miniaturização (cabelo mais fino) em mais de 20% dos fios. Permite também distinguir as várias doenças que afetam o couro cabeludo por padrões típicos de cada uma. O fototricograma permite determinar a taxa de crescimento e diâmetro dos cabelos, o que permite distinguir calvície comum de deflúvio (queda de cabelo sem miniaturização). Em casos raros, temos que efetuar uma biópsia de pele para saber que doença afeta o couro cabeludo.

queda de cabelo

Não desvalorizar o problema é importante

A queda de cabelo não deve ser desvalorizada, sobretudo quando difere do padrão habitual para essa pessoa e para essa época do ano. Nesses casos, pode ser a forma de apresentação da calvície comum ou de uma doença (por exemplo alopécia areata). Para determinar a queda de cabelo excessiva são úteis o teste de tração (puxar um conjunto de cabelos e ver quantos se soltam) e o fototricograma.

queda de cabelo

Reversível ou não reversível? Travar a doença quanto antes

A calvície nem sempre é reversível. Existe um conjunto de doenças que têm como estado final uma calvície não reversível – chamam-se alopécias cicatriciais. A mais comum destas doenças nos caucasianos é o líquen planopilaris. Noutras doenças, como a alopécia areata, habitualmente existe potencial de recuperação total dos folículos (fábricas que produzem cada cabelo) e consequentemente a falta de cabelo não é definitiva. Na calvície comum existe potencial de manter e melhorar (tornar mais grossos) os folículos existentes com o tratamento médico. Os folículos que se tenham perdido já não é possível recuperar. No caso de doença (alopécia areata, líquen planopilaris, foliculite decalvante, etc.) é fundamental travar a doença quanto antes. O follow up de início será feito aos 2 ou 3 meses para avaliar o controlo da doença, enquanto na calvície comum bastará observar aos 6 meses.

Rui Oliveira Soares (dermatologista)

 

Quando o assunto é cabelo, e se existe uma pequena desconfiança de que algo não está bem, a procura de ajuda especializada deve ocorrer o mais rapidamente possível! Há tantas pessoas que me enviam mensagens com problemas que têm, desde descamação, comichão, queda anormal, cabelo mais fino… e a minha resposta será sempre: dermatologista, dermatologista, dermatologista! Estes assuntos são muito sérios e merecem um acompanhamento médico. Durante muitos anos, ainda não havia internet nem acesso a informação, andei perdida entre tratamentos que nada fizeram, ampolas, champôs. Quando encontrei o médico certo, o Dr. Rui, consegui finalmente resolver o meu problema.

Todas nós conhecemos alguém que tem um problema de cabelo. Pode ajudar partilhares este artigo! Conto contigo?

 

Posts relacionados

Que champô te recomenda o dermatologista?

Quando penso nos artigos que escrevo por aqui, penso obviamente naqueles que eu própria gostaria de ler, e este é um deles. Tal é importante a minha relação com o meu cabelo. No caso do cabelo uso quase sempre ch...

Junho 25, 2019

Queda de cabelo: como abordar? – Jornadas de Dermatologia

Já falei aqui sobre o congresso em que estive presente, as Jornadas de Dermatologia e Dermocosmética em Medicina Familiar. Um dos temas de grande interesse e que suscitou muitas questões por parte dos médicos de ...

Junho 4, 2019

Comenta este post

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

As seguintes regras de RGPD (Regulamento Geral Proteção de Dados) terão de ser lidas e aceites:
Este formulário armazena o teu nome, e-mail e conteúdo para que possamos acompanhar os comentários colocados no site. Para mais informações, consulta a nossa política de proteção de dados, onde obterás mais informações sobre onde, como e por que armazenamos os teus dados.

recebe as novidades beautyst

A
Aceito as condições gerais. Consulta a nossa política de proteção de dados.

My beauty Wishlist