Medicamentos e queda de cabelo: o que saber?

medicamentos queda de cabelo

Neste artigo já falei em conjunto com o dermatologista Rui Oliveira Soares sobre alguns dos medicamentos que podem ter influência no cabelo. Hoje, com o reumatologista Luís Cunha Miranda, vamos saber que medicamentos utilizados em diversas doenças podem impactar diretamente a queda de cabelo. Neste artigo já falámos em conjunto sobre algumas doenças, nomeadamente o lúpus e outras doenças reumáticas que têm influência direta no cabelo. O que é possível fazer então para contornar os possíveis efeitos adversos de alguns medicamentos?

A medicação que uso pode fazer mal ao meu cabelo?

Luís Cunha Miranda: Existem diversas medicações utilizadas para o controle de doenças como a artrite reumatoide, o lúpus, as espondilartrites entre outras doenças reumáticas sistémicas imunomediadas que podem aumentar a queda de cabelo, com variação de pessoa para pessoa. Estas medicações são igualmente utilizadas em múltiplas doenças dermatológicas, gastroenterológicas, renais e outras, entre as diversas indicações que cada uma delas tem. Há de facto medicamentos que impactam a queda de cabelo.

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Medicamentos usados em múltiplas doenças com impacto no cabelo

O metotrexato, que utilizamos em diversas doenças, está implicado em alguns casos de queda de cabelo abundante, da mesma forma que a azatioprina, o micofenolato de mofetil, a ciclofosfamida, a sulfassalazina, a hidroxicloroquina ou mesmo os corticoides. São diversos medicamentos que podem ser utilizados em numerosas doenças reumáticas e não só, e podem provocar queda de cabelo por vezes abundante.

Curiosidades: os antipalúdicos de síntese, um grupo de medicamentos em que o mais usado nas doenças reumáticas é a hidroxicloroquina, mas que inclui também a resoquina, a quinacrina, entre outros, pode dar descoloração do cabelo especialmente em mulheres com cabelo louro ou ruivo. A ciclosporina e os corticoides orais ou tópicos ou mesmo o metotrexato estão associados à hipertricose, que é o aumento difuso dos pelos.

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Devemos parar o tratamento medicamentoso por causa de queixas associadas ao cabelo?

Não, especialmente por estes efeitos adversos acontecerem apenas numa percentagem muito baixa de doentes. Estas medicações inserem-se na maior parte dos casos naquilo a que chamamos medicamentos modificadores da doença e servem mesmo para isso. Controlam muitas destas doenças e são medicamentos fundamentais que permitem que as pessoas deixem de ter, por exemplo, artrite ou lúpus ativos e que evitam que as pessoas estejam incapacitadas e deixem de ter uma vida normal, ou esperança.

Mas devemos deixar os doentes ficarem sem cabelo e manter estas medicações?

De forma alguma. Felizmente existem múltiplas medicações e novas alternativas para as doenças reumáticas inflamatórias sistémicas (e para doenças de outras especialidades) e por isso, existindo alternativas, podemos ter uma escolha centrada na doença e nos efeitos menos positivos que ela provoca em cada doente. Devemos, pois, estar atentos a todos os efeitos adversos de que realmente o doente sofre, e não apenas aos da bula.

Mas é responsabilidade absoluta do doente falar dos seus problemas e eventuais efeitos adversos com o médico, para se encontrar uma solução e outra estratégia para a doença em questão. Um doente não deve parar o tratamento medicamentoso sem falar com o seu médico, sob pena de ter consequências nefastas para a sua saúde. É sempre preferível o segundo melhor medicamento (mas que o doente toma) do que “o melhor medicamento”, mas que o doente deixa de fazer sem dizer ao médico.

Se o médico não souber dos efeitos adversos que o doente tem nunca poderá considerar outras alternativas, mesmo que na parte da doença em si eles estejam a funcionar. O diálogo é fundamental. Perceber a causalidade também. Ou seja, temos de ter a certeza ou uma forte suspeita que é o medicamento que está na causa da queda do cabelo (ou de outras queixas), por forma a não esgotarmos estratégias mas mantendo sempre a segurança e o doente como parceiro mas no centro da decisão.

Luís Cunha Miranda, reumatologista

Recebo inúmeras mensagens de pessoas a quem lhes são prescritos medicamentos para determinada doença (mesmo para uma alopécia e/ou queda de cabelo) e que decidem não os tomar por algum motivo. O médico deve saber sempre qual a razão que leva um doente a não tomar o que lhe foi prescrito, havendo quase sempre alternativas terapêuticas. Por outro lado a maior parte das pessoas que não trabalha na área da saúde pode ter dificuldade em interpretar de forma adequada o Resumo de Características do Medicamento (RCM).

Uma das razões que leva muitas pessoas a não tomar um medicamento é por ver que as indicações do medicamento são diferentes daquela para a qual foi prescrito. A isso chama-se a utilização off label e é muito frequente em medicina. Os medicamentos prescritos nestas situações já têm dados de segurança e eficácia sobre a sua utilização.

Um médico tem tudo isto em conta quando prescreve um medicamento e jamais irá prescrever algo que coloque em risco a vida ou a saúde do seu doente.

Que dúvidas tens ainda sobre o impacto do tratamento dos medicamentos na queda de cabelo?

Fotografia: Márcia Soares

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