Lúpus, doenças reumáticas e impacto no cabelo

lupus

Há várias doenças que podem levar a um problema de cabelo, como por exemplo o lúpus. É muito importante salientar que as doenças de cabelo poderão estar ligadas a outras patologias. Se o cabelo é algo em que reparamos de imediato, uma doença reumática como o lúpus pode ser mais difícil de perceber que se tem. Para explicar-te mais sobre este tema, pedi ao reumatologista Luís Miranda, presidente da Sociedade Portuguesa de Reumatologia, para abordar o impacto que as doenças reumáticas, como o lúpus, podem ter no cabelo, na queda de cabelo e na alopécia.

Cabelo, lúpus e as doenças reumáticas

Luís Miranda: Podemos pensar que a alopécia ou o aumento anormal da queda do cabelo nunca poderá ter a ver com uma ou várias doenças reumáticas, mas tal não é verdade. Existem algumas doenças reumáticas e alguns tratamentos feitos para controlar as doenças reumáticas que podem influenciar de forma importante a vida natural do cabelo.

Uma das doenças que identificamos como tendo uma ligação direta à queda do cabelo é o lúpus. O lúpus é uma doença imunomediada, ou seja em que alterações do sistema imunitário desencadeiam a doença com atingimento quer da pele quer do cabelo, mas podendo atingir ao longo da sua evolução diversos órgãos (rim, coração, pulmão, sistema nevoso central, etc.), como acontece no caso do lúpus eritematoso sistémico (LES). O lúpus tem variedades mais centradas na pele como por exemplo o discoide ou o lúpus túmido e estas condições são tratadas e seguidas pela dermatologia. O LES, que implica com múltiplos órgãos e sistemas, atinge na quase totalidade as articulações, músculos e tendões com dores articulares (artralgias) ou associando-se edema e inflamação (artrite do LES), sendo uma doença seguida pela reumatologia.

A pele e o lúpus eritematoso sistémico (LES)

Na pele dos doentes com LES todos conhecemos a fotossensibilidade (reação exagerada e intensa à exposição solar) e o rash em asa de borboleta (vermelhidão no rosto na zona do nariz e bochechas) que sendo muito sugestiva da doença não é assim muito frequente.

cabelo

Lúpus e cabelo

Quanto ao cabelo, no lúpus eritematoso sistémico podemos ter por um lado um aumento global da queda de cabelo, que se associa muitas vezes ao aumento da intensidade da doença, e por outro lado na evolução da doença a ocorrência de diversas formas de alopécia: não cicatricial, difusa ou limitada (às vezes em banda) e em pelada. No caso de pelada assistimos a zonas em que, pela inflamação e atividade da doença, existe uma área de perda de cabelo mais ou menos limitada e de tamanho variável (do tamanho de uma moeda a zonas mais extensas). Uma forma transitória de alopécia chamada “cabelo do lúpus” consiste em cabelo fino, seco e enfraquecido especialmente nas zonas periféricas do couro cabeludo com possível relação com o deflúvio telogénico.

Inflamação, lúpus e cabelo

A inflamação associada à doença pode mesmo provocar cicatriz e fibrose que irá comprometer que o cabelo volte a crescer. Contudo, se houver apenas inflamação, o controle do LES no global irá acompanhar-se de recuperação muitas vezes total do cabelo. Assim os sinais de alerta para um lúpus eritematoso sistémico quando existe uma queda de cabelo inexplicável são entre outras:

  • Dores nas articulações persistentes nomeadamente mais no final do sono (despertando muitas vezes o doente) e princípio da manhã
  • Aftas muito frequentes
  • Lesões na pele provocadas ou agravadas significativamente pelo sol
  • Presença de articulações inchadas quentes ou vermelhas
  • Presença de rigidez matinal prolongada. Esta rigidez é a sensação de se estar perro ou enferrujado nas articulações por um período superior a 30 / 45 minutos
Outras doenças reumáticas e o impacto no cabelo

Outras doenças reumáticas como por exemplo o síndrome de Sjögren ou a esclerose sistémica também têm a capacidade de interferir com o cabelo aumentando a sua queda ou por vezes provocando, tal como no lúpus eritematoso sistémico, alopécia mais ou menos definitiva.

Estas doenças partilham com o LES e muitas outras doenças reumáticas e músculo-esqueléticas a dor articular, a possibilidade de presença de artrite e a presença de alterações mucocutâneas (alterações na pele e mucosas). O diagnóstico destas doenças cabe ao reumatologista e é assente em diferenças clínicas bem como na presença ou não de diversas alterações nos meios complementares de diagnóstico nomeadamente laboratoriais (presença de determinadas alterações e de diferentes anticorpos nas análises).

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Alterações na pele no síndrome de Sjögren

Clinicamente, só como exemplo, podemos dizer que caracteristicamente no síndrome de Sjögren existe um quadro de secura da pele e especialmente das mucosas (olhos, boca, vagina) e que por exemplo dos dados mais frequentes clinicamente na esclerose sistémica será a presença de Raynaud – mãos arroxeadas podendo passar de brancas a vermelhas a roxas, com a exposição ao frio ou o aumento da espessura da pele das mãos, face, etc. (esclerodactilia). Mas todos estes quadros têm particularidades e variações individuais que o reumatologista tem de ter em conta quer para o diagnóstico quer para o plano terapêutico.

Doenças mais raras e o cabelo

Doenças mais raras como a dermatomiosite pode ter a alopécia como forma de apresentação da doença com placas atróficas violáceas confluentes e difusas  que podem parecer doenças como a dermatite seborreica ou a psoríase.

Luís Miranda (reumatologista)

 

É importante perceber que o cabelo pode ser impactado por inúmeros fatores, e as doenças reumáticas, como o lúpus, podem ter um papel determinante no estado geral do cabelo. Se assim for, deve ser procurado o médico reumatologista, que para além de diagnosticar e implementar a terapêutica adequada caso a caso, poderá reencaminhar o doente para o médico dermatologista.

Tinhas conhecimento que as doenças reumáticas como o lúpus podem ter esta influência no cabelo?

Fotografia: Márcia Soares

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