Cabelo e stress: o que ninguém te conta sobre esta relação

cabelo e stress

2025 foi um ano cheio de projetos, onde me superei a mim mesma e em que consegui tornar realidade um sonho que tinha há vários anos, com uma equipa espetacular ao meu lado. Mas foi um dos anos mais stressantes de sempre e estive perigosamente à beira de um segundo burnout. O stress esteve presente em grande parte do primeiro semestre de 2025, a ansiedade também, mas consegui dar a volta com apoio médico. Em 2025 o meu cabelo sofreu muito por via do stress. Foi-me diagnosticado um deflúvio telógeno agudo em Julho pelo dermatologista Dr. Rui Oliveira Soares. Por outro lado, quase não tive tempo de cuidar do cabelo e a meio do ano eu não o conseguia reconhecer: fraco, baço, com muita queda e sem vida. Desde essa altura que estou a seguir um plano ambicioso para recuperar a densidade, brilho e saúde. Como estou a recuperar o meu cabelo após meses de stress?

O papel do stress na queda de cabelo

Dr. Rui Oliveira Soares: A saúde, segundo a Organização Mundial de Saúde, é o completo bem-estar físico, psíquico e social. Desde logo podemos supor que o impacto social e psíquico do mesmo grau de alopécia (falta de cabelo) pode ser bem diferente num homem de 80 anos ou numa mulher de 20, pelo que o impacto da alopécia deve ser sempre encarado no contexto psíquico, social e cultural da pessoa afetada.

Há 2 prismas para olhar esta relação do cabelo com o stress: o impacto psicológico do cabelo (leia-se falta dele) na psique, mas também o impacto que a alteração psíquica pode determinar no cabelo. Que evidência temos de que a psique pode influir no cabelo e de que a falta de cabelo pode influir na psique? É do conhecimento de todos que uma má notícia, uma preocupação excessiva, ou o facto de estarmos mais ansiosos pode provocar uma queda de cabelo mais intensa uns meses depois. Isto deve-se ao impacto que a esfera psíquica tem na pele:

  • Impacto de uma forma geral, como sucede no agravamento de doenças crónicas da pele quando estamos mais preocupados (conhecemos a expressão “nervos à flor da pele”);
  • Impacto, de forma particular, nesses derivados da pele que são os cabelos, e que podem ser afetados no seu ciclo habitual.
Queda de cabelo, stress e ansiedade

Normalmente, temos cerca de 5-10% dos cabelos em fase final do ciclo (telogénese), que dura 3 a 4 meses, e finda a qual o cabelo cai (empurrado pelo novo cabelo que surge no mesmo folículo). Ora o cansaço, a preocupação e a ansiedade acima do habitual podem acelerar a entrada em telogénese de muitos mais folículos, o que pode determinar, meses depois, 20 a 30% dos folículos em fase de queda, em vez dos 5-10% habituais.

Dr. Rui Oliveira Soares, dermatologista

Deflúvio telógeno agudo pelo qual passei: o que é, quais as causas e o que fazer?

stress e cabelo e queda

O deflúvio telógeno agudo (DTA) é uma forma de alopécia não cicatricial, caracterizada por queda difusa e abrupta dos cabelos, decorrente do aumento súbito da proporção de folículos pilosos que entram na fase de telogénese (queda) do ciclo capilar 1,2. Trata-se de uma condição frequente em dermatologia e, na maioria dos casos, é autolimitada, ou seja, termina passado algum tempo. No deflúvio telógeno agudo, um fator desencadeante, no meu caso o stress, provocou a migração precoce e sincronizada de muitos folículos da fase de anagénese (fase de proliferação celular) para a fase de telogénese (queda), o que resultou numa queda capilar muito significativa cerca de 2 a 3 meses após o pico mais elevado de stress (a causa do meu deflúvio)3.

Mas não é só o stress físico ou emocional intenso que determina um deflúvio telógeno agudo. Outros fatores desencadeantes são bem conhecidos: doenças febris e infeções agudas; cirurgias e anestesia geral; pós-parto; perda de peso rápida e dietas restritivas; deficiências nutricionais, especialmente de ferro e proteína; alterações hormonais e uso de determinados medicamentos 1,4. O deflúvio telógeno agudo manifesta-se por uma queda difusa dos fios, sem formação de áreas sem cabelo bem delimitadas. Existe um aumento da queda ao lavar ou pentear os cabelos, bem como a redução do volume capilar embora o couro cabeludo apresente um aspeto normal, sem sinais de inflamação 2,5. O deflúvio telógeno agudo apresenta bom prognóstico, com resolução espontânea da queda em até 3 a 6 meses, desde que o fator desencadeante seja removido ou corrigido 1,4. A recuperação do volume capilar ocorre progressivamente, sem risco de alopécia permanente.

Referências bibliográficas: (1) Harrison S, Sinclair R. Telogen effluvium. Clin Exp Dermatol. 2002;27(5):389–395. (2) Sinclair R. Diffuse hair loss. Int J Dermatol. 1999;38(Suppl 1):8–18. (3) Whiting DA. Chronic telogen effluvium: increased scalp hair shedding in middle-aged women. J Am Acad Dermatol. 1996;35(6):899–906. (4) Malkud S. Telogen effluvium: A review. J Clin Diagn Res. 2015;9(9)–WE03. (5) Rebora A. Telogen effluvium: a comprehensive review. Clin Cosmet Investig Dermatol. 2019;12:583–590.

A minha consulta em Julho de 2025: stress, cabelo e o diagnóstico de deflúvio telógeno agudo

Em Julho comecei a perceber que o meu cabelo estava com muito menos densidade e via cabelos por todo o lado. Não é, para mim, uma altura normal de queda (a minha queda sazonal inicia normalmente no fim de Agosto) pelo que percebi que uma consulta era essencial para perceber a razão da perda de densidade (não me preocupo muito com a queda se não existe perda de densidade ou se costuma ser um padrão normal para mim em determinadas alturas do ano). O Dr. Rui Oliveira Soares ouviu as minhas queixas, fez um teste de tração (que consiste em puxar alguns fios de cabelo) e que foi positivo, evidenciando fios telógenos. Também fizemos o exame de tricoscopia (que consiste em ver o couro cabeludo através de uma câmara de aumento) para analisar a proporção de fios em fase de queda mas percebemos também que a minha alopécia androgenética havia ganho terreno. Porquê? O tratamento medicamentoso para a alopécia androgenética não é eficaz sempre. A eficácia depende de pessoa para pessoa, e esse é apenas um dos motivos para não se faltar à consulta de revisão. O tratamento pode deixar de ser eficaz, sim. Basicamente a conjugação genética + idade a dada altura pode ganhar a batalha ao medicamento. As consultas de revisão são imprescindíveis para afinar o tratamento e foi exatamente isso que fizemos.

Alteração ao meu tratamento medicamentoso para a alopécia androgenética

stress e cabelo e queda

Em Julho fiz uma das mudanças mais radicais no meu tratamento para a alopécia androgenética.

Até aí estava a fazer:

  • Minoxidil oral manipulado segundo a dose prescrita em consulta
  • Finasterida todos os dias
  • Dutasterida 3x semana
  • Espironolactona 1x dia
  • Minoxidil tópico

Passei a fazer:

  • Minoxidil oral (aumentei a dose) + flutamida manipulados (na mesma cápsula) segundo a dose prescrita em consulta
  • Espironolactona 1x dia, no dobro da dosagem
  • Minoxidil tópico

Resultados? O Dr. Rui Oliveira Soares referiu que iria ver resultados ao fim de 4 meses e iríamos reavaliar ao fim de 6 meses (hoje).

De facto… cresceu-me imenso cabelo novo. Tanto cabelo novo que consigo dizer que mais de metade do meu cabelo é novo! E muito do antigo acabou por cair (e já era expectável). Hoje fizemos nova alteração ao tratamento uma vez que estou a ter resultados muito positivos, e pelo facto de ter feito depilação a laser no corpo todo pudemos aumentar a dose de minoxidil oral sem qualquer receio de crescimento de penugem / pelos (sobre este tema falei aqui). A partir de agora faço uma dosagem um pouco mais alta de minoxidil e mantenho tudo o resto. Marquei consulta para daqui a um ano. E fiquei muito feliz com os resultados alcançados.

Nota: esta é a terapêutica que faz sentido para mim. A medicina não é feita de cópias de receitas “mágicas”. Cada caso é um caso: a terapêutica deve ser instituída mediante as características individuais de cada pessoa e a resposta ao tratamento.

Ajudas extra e cuidados capilares

Para além da alteração ao tratamento medicamentoso, fui muito firme na utilização do Lambdapil Melatonin Concentrate da ISDIN, sobre o qual falei mais recentemente aqui. Como é muito fácil de aplicar e não deixa qualquer resíduo tornou-se um aliado muito simpático nesta luta (uso 5 dias por semana, 1 hora após a aplicação do minoxidil tópico). Outra opção seria Crescina, com a qual também tenho ótima experiência. Adicionalmente, o Dr. Rui Oliveira Soares referiu que eu deveria trocar de suplemento a cada 3 meses para obter mais valias das diversas composições. Nessa altura mudei para o Cistitone Forte BD, depois para o Hair Formula da Luxmetique, e agora voltei ao Lambdapil 5 alfa Plus.

Além disto passei a fazer cortes mais regulares pois as pontas iam ficando ralas em pouco tempo. Estou a fazer cortes de pontas entre um mês e meio a dois meses. Assim ele mantém-se com um ar mais “inteiro e forte” e sempre a direito, que é como resulta melhor em mim (os escadeados não funcionam bem nos cabelos com alopécia quando muito finos).

De volta a vários rituais

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Depois de Julho voltei a alguns rituais importantes para manter os comprimentos com aspeto brilhante e saudável:

  • Tratamento Olaplex 3 (faço ao fim de semana) ou o tratamento Première da Kérastase (que tem de obrigatoriamente ser usado com o champô da mesma gama no próprio dia), este último se só tiver alguns minutos
  • Bálsamo da Sisley em tratamento noturno 1x semana para um extra de nutrição (dura imeeeeenso)
  • Aplicação do Complexe 5 (no couro cabeludo) e da Hair Prodigieux Masque em óleo da Nuxe (nos comprimentos) 1x semana antes de lavar (por norma ao fim de semana também – falei desta máscara aqui)
  • Cronograma capilar (falei sobre o tema aqui e aqui)
  • Aplicação de óleo nos comprimentos antes de ir dormir – uso um óleo leve como o 5 Sens da René Furterer – falei aqui – ou o Óleo Capilar da Sisley se quiser um toque seco na manhã seguinte (se por exemplo for ao ginásio) ou um óleo com um toque mais nutritivo se lavar logo na manhã seguinte (por exemplo este da Lazartigue). Em alternativa aos óleos também gosto muito desta opção
  • Lavagem com champôs específicos para complemento aos tratamentos de queda. Os meus favoritos? Estes quatro, sem sulfatos: Fortify da Lazartigue (que tem recarga), este novo da Sensilis, Triphasic da René Furterer e Quinina da Klorane – estes dois últimos têm condicionadores na mesma gama para aplicar das raízes às pontas e funcionam muito bem, sem pesar. Reforço que os champôs são complementos e não “o” tratamento para a queda
  • Esfoliação suave do couro cabeludo sempre que me lembro (15 em 15 dias sensivelmente) para potenciar os tratamentos tópicos. Uso este esfoliante (usa-se em couro cabeludo seco, aplicando risca a risca, massaja-se e depois enxagua-se, seguindo para a lavagem habitual)
  • Lavagem com água morna (e sim, termino sempre com água fria), com champô só nas raízes e condicionador em todas as lavagens (evito água quente na pele e no cabelo)
  • Evito ao máximo as fontes de calor (ou se uso secador aplico sempre um protetor de calor e tento manter a fonte de calor a uma distância dos fios de pelo menos 20 cm)
  • Mantenho uma alimentação rica em antioxidantes, vitaminas e proteína e uma boa ingestão de água, para além de suplementar com vitamina D (por recomendação médica)
  • Faço exercício cerca de 3x por semana para gerir o stress e porque o treino de força na minha idade é crucial
  • Durmo entre 7-8 horas por noite sempre que possível (e no fim de semana durmo mais)

 

Se ao leres este artigo reconheces no teu cabelo sinais como queda excessiva, perda de densidade, fragilidade ou falta de brilho, é importante saber que não estás sozinha e que existem soluções. O stress e a ansiedade podem ter um impacto profundo no cabelo, mas o deflúvio telógeno agudo tem bom prognóstico quando é corretamente diagnosticado. Uma consulta de cabelo em dermatologia é fundamental para identificar a causa da queda, ajustar tratamentos e acompanhar a recuperação. Paralelamente, os cuidados de embelezamento como rotinas adequadas, produtos certos e pequenos rituais consistentes desempenham um papel essencial na recuperação do aspeto, da autoestima e da relação com o nosso próprio cabelo. Para mim tem sido terapêutico. Tratar e cuidar do cabelo é olhar para a saúde de forma integrada: por dentro e por fora, com ciência, cuidado e tempo.

 

Fotografia: Andreia Fonseca

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