Ser empreendedora em Portugal – como é a minha realidade?

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A plataforma Beautyst.pt já ascende a mais de 60.000 visualizações mensais, mas antes de a criar estive cerca de um ano e meio a planear o seu lançamento. Ser mulher e empreendedora em Portugal é uma oportunidade de fazer algo que se adora. E esta surgiu quando, depois de um burnout, percebi que não era possível trabalhar como até ali e simultaneamente acompanhar a minha família. Estava permanentemente ausente. Hoje em dia existe ainda muito o estigma de que quem tem um projeto digital vive sem stress, que é um trabalho fácil e sem pressão, quando a pressão é a maior que se possa pensar, pois somos 100% responsáveis por tudo. Hoje vou contar um pouco mais sobre a minha vida de empreendedora. Vem saber tudo!

Empreendedora, como comecei?

Antes de mais tenho de referir que a ideia deste projeto não aconteceu do dia para a noite. Aconteceu pois foi o culminar de várias circunstâncias na minha vida. Tinha passado por um burnout, tinha contactado com algumas mulheres com alopécia, tinha muita experiência profissional em gestão na área da saúde na Indústria Farmacêutica, onde lancei inúmeros medicamentos, suplementos e dermocosmética e muito honestamente sentia falta de um projeto credível, onde pudesse contribuir com o conhecimento de dermatologistas e profissionais de saúde portugueses, onde pudesse falar também dos desafios de ter uma alopécia (e sobre o seu tratamento) e ainda dos desafios de ser mulher com mais de 40 anos. E simultaneamente, e porque para mim é muito importante, como consumidora de conteúdos digitais, fazer tudo isto com um look and feel minimalista, fotografia irrepreensível e um design alinhado com o meu gosto pessoal. Sou daquelas pessoas que gosta de bons conteúdos com uma boa imagem. Só para dar um exemplo, o logotipo Beautyst passou por muitas tentativas, até que um dia eu disse “É este!”. O nome Beautyst também demorou tempo a surgir e aglutina duas palavras: “Beauty” e “Specialist”.

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Ser empreendedora – os meus primeiros passos

Não é fácil ser-se empreendedora se não tiveres qualquer experiência em gestão, economia, marketing ou marketing digital (um projeto profissional sem componente digital pode ser um tiro nos pés). A minha experiência acumulada de anos, onde definia sozinha o futuro de áreas de negócio que valiam literalmente milhões de euros por ano, foi a minha melhor “escola”. Fiz várias pós-graduações em Marketing Farmacêutico e Marketing Digital e criei aquilo de que eu própria sentia falta: uma plataforma credível, com conteúdos necessários no panorama nacional, com uma imagem simples e 100% alinhada com os valores deste projeto e onde se falasse abertamente e sem tabus dos problemas de todas as mulheres. Depois fiz as coisas básicas: registei a marca, comprei o domínio, abri empresa, tive aconselhamento contabilístico e jurídico e fiz o plano de lançamento deste projeto com tudo o que isso significa (tal como já havia feito dezenas de vezes enquanto trabalhava na Indústria Farmacêutica). Um processo longo mas muito compensador.

Ser empreendedora e o meu dia a dia

Trabalho menos que antes? Não. Se somos empreendedoras e achamos que vamos trabalhar menos, é porque não sabemos a responsabilidade que é ter um projeto próprio. Tenho dias em que trabalho 12 h, aos fins de semana tenho sempre tarefas a cumprir, posso não ter de ir a correr para uma reunião de departamento às 8h30 da manhã, mas não vivo sem noção das minhas responsabilidades. Se mostro o meu dia a dia com um sorriso no rosto, é porque sou mesmo feliz a conduzir este projeto. Contudo, criar o universo Beautyst, produzir conteúdos com a cadência e a qualidade que procuro, diversificar serviços e iniciativas, exige pesquisa permanente, contactar inúmeros profissionais, gerir tudo neste projeto, responder a milhares de contactos todos os meses, atualizar o site e as redes sociais, otimizar todos os conteúdos, fazer sessões fotográficas, editar, editar, editar. O meu trabalho de back office não acaba e há tarefas sem qualquer glamour (como fazer a faturação, resolver questões informáticas e muitas outras…).

Ser empreendedora, coisas boas e coisas menos boas?

Não é por acaso que a plataforma Beautyst.pt tem cada vez mais visualizações, ascendendo a mais de 60.000 visualizações / mês neste momento (UAU!). Isto representa muito trabalho. Nas redes sociais chego a mais de 100.000 pessoas com os meus conteúdos, gerando 20.000 interações a cada mês.

O que tem de bom?

  • Este projeto é 100% a minha cara, faço tudo como quero e não tenho de prescindir das minhas crenças ou do meu gosto pessoal. A transparência é algo de que me orgulho muito e considero um dos pilares essenciais deste projeto. Podes saber mais aqui.
  • A auto aprendizagem é enooooorme! Já aprendi mais enquanto empreendedora do que na minha vida profissional toda (de mais de 15 anos). Sei fazer tudo sozinha e quando não sei tenho de ir aprender. Para mim não há impossíveis, é arregaçar as mangas e “vamos lá”.
  • Com este projeto já ajudei milhares de mulheres, seja com o tema alopécia, seja a fazerem melhores escolhas de produtos de pele, cabelo e corpo e escolhas mais saudáveis, seja com o incentivo a terem uma vida melhor ou para que consigam melhorar a sua auto-estima. Esse achievement não tem preço! Posso dizer que amo o meu trabalho!
  • Eu faço a gestão do meu próprio tempo (se um dia tiver de interromper o trabalho às 16h, sei que vou compensar noutros dias, porque as tarefas não acabam). Isso permite-me fazer coisas tão banais e necessárias como ir buscar os meus filhos à escola ou tratar de assuntos mediante a minha disponibilidade.

O que tem de menos bom?

  • Aquela coisa óbvia: não há salário ao final do mês, não há subsídios, não há prémios. Se há atrasos em pagamentos e tendo eu, como empresa, obrigações financeiras, tenho de gerir tudo isso, sozinha.
  • Uma das coisas menos boas é que na área digital por vezes ainda se pensa que as pessoas trabalham sem retorno financeiro (pergunto se alguém estaria disponível a ter um trabalho a full time e não ser remunerado? Não me parece). Acho que também por isso é que se chegou a uma generalizada falta de qualidade nas redes sociais e no meio digital no nosso país. A minha plataforma é visualizada mais vezes por mês do que uma grande revista nacional. Um jornalista trabalha em troca de produtos? Também não me parece. Tenho empresa aberta, pago segurança social, impostos, fotografia e vídeo, aluguer de espaço, registos, domínios, atualizações, aconselhamento jurídico, contabilidade, compro material informático, faço formação, divulgação nas redes sociais, etc … Aquela ideia de que quem tem um projeto digital não tem custos está completamente ultrapassada. Faço parcerias sim, e elas são importantes para este projeto, mas as fontes de receitas são várias, por isso as parcerias são feitas APENAS quando faz sentido para mim e com soluções que são efetivamente uma mais valia para quem me lê (e sim, eu declino inúmeras propostas por todos estes motivos e porque tenho uma responsabilidade acrescida – trabalho com profissionais de saúde, todos somos sérios neste projeto e não estamos aqui para enganar ninguém).
  • Trabalho quase todos os dias sozinha, e uma coisa de que sinto falta é mesmo socializar. Se pensar que grande parte do tempo em que este projeto tem estado online foi feito em plena pandemia, sim, tenho dias em que estou farta de estar em casa e sozinha e em que gostaria de debater uma série de ideias com colegas de trabalho.
  • A pandemia afetou o curso deste projeto. Tenho planos que nunca saíram do papel, tenho imensas ideias que neste momento nem posso colocar em prática (ou sequer planear). Quem fala de uma pandemia, fala de todos os imponderáveis do mercado. Quando se tem um projeto, qualquer imponderável pode ser uma ameaça. As coisas não são iguais para sempre.
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Conselhos para uma futura empreendedora que esteja desse lado?

BASES: Ter bases de gestão, economia, marketing ou marketing digital e/ou uma excelente ideia, algo que seja completamente novo ou pelo menos disruptivo e ter uma enorme paixão por trabalhar! Há tantas coisas novas que fazem falta, para quê copiar algo que já existe?

APOIO: Se não tiveres estas bases, avalia a ideia com alguém que efetivamente perceba destas áreas. Ter uma ideia e achar que ter o 300º projeto igual a outros 299 faz sentido, pode ser um perfeito disparate. Para quem não percebe nada do assunto ou para quem precisa de ajuda em áreas que não domina, recomendo mesmo o trabalho da Maria Gonçalves, que apoia precisamente pessoas que querem lançar o seu projeto e que tem ainda um enorme know how na área digital.

IMPRESCINDÍVEL: Ser criativa, fazer diferente, fazer melhor, inovar, ser transparente, ser flexível e ser uma pessoa honesta (a falta de honestidade mais cedo ou mais tarde vem à tona). Tudo isto é tão necessário!

SABER AVALIAR OS RISCOS: Toda a gente sabe que uma empresa tem custos, que existe o breakeven point (momento a partir do qual já começas a ter lucros) mas isso pode demorar, o mercado pode não corresponder às tuas expectativas, o teu produto pode não vender como esperas. Por isso, tem a certeza que arrancas sabendo todos os riscos e que tens uma rede de apoio financeiro que te permitirá fazer apenas boas escolhas para ti e para o teu projeto.

Já pensaste em ser empreendedora?

Fotografia: Márcia Soares

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