Alopécia fibrosante frontal – o que é e como tratar?

Uma condição de cabelo cada vez mais frequente e à qual poucas pessoas dão a real importância (tendo em conta a urgência no tratamento), é a alopécia fibrosante frontal. Nesta doença podemos ver um recuo da linha de implantação do cabelo (sensação de testa grande), bem como assistir a perda parcial ou total das sobrancelhas. Uma vez que a alopécia fibrosante frontal carece de tratamento imediato e urgente, pedi ao Dr. Rui Oliveira Soares, dermatologista e especialista em cabelo e secretário geral do grupo de tricologia da Sociedade Portuguesa de Dermatologia, para nos esclarecer sobre este tema.

Alopécia fibrosante frontal – causas

Rui Oliveira Soares: Esta misteriosa doença surge pela primeira vez no fim do século passado. Desde o início deste século vem aumentando de incidência, de modo a atualmente ser uma doença relativamente frequente.

Desconhece-se a causa da alopécia fibrosante frontal, mas parecem importantes a genética, fatores hormonais e fatores ambientais ainda desconhecidos. A principal associação é com doença tiroideia, particularmente com hipotiroidismo. Faz parte das alopécias cicatriciais – doenças que levam a perda de cabelo definitiva por destruição dos folículos, que são as fábricas que produzem o cabelo.

Afeta sobretudo as mulheres, e mais frequentemente inicia-se no período peri-menopausa (40 a 60 anos).

alopecia fibrosante frontal

Alopécia fibrosante frontal – como se manifesta?

Na sua forma mais comum, provoca perda progressiva das sobrancelhas e recuo da linha frontal de implantação (testa grande). É frequente também a perda de pêlo corporal.

O diagnóstico precoce é muito importante e consegue-se nas formas muito iniciais por tricoscopia (técnica de aumento). A descamação circular à volta da emergência dos cabelos (com ou sem vermelhidão) é o aspeto mais importante. Os cabelos muito finos que vemos habitualmente na zona frontal desaparecem. À medida que o processo avança, vão desaparecendo os orifícios foliculares.

Alopécia fibrosante frontal – tratamento

O tratamento da alopécia fibrosante frontal varia com a fase da doença:

  • Doença estável, sem sinais de atividade: finasterida é o medicamento indicado
  • Doença com atividade: doxiciclina, hidroxicloroquina, isotretinoína, tacrolimus tópico, corticoide tópico ou intra-lesional são as opções
  • Doença galopante (rápida progressão e atividade): ciclosporina, corticoide oral e corticoide intra-lesional são as melhores opções

Quase sempre conseguimos parar a progressão da doença com os medicamentos. O principal problema é que muitas vezes o diagnóstico é tardio, já numa fase em que houve grande destruição de cabelo. Isto geralmente deve-se a incapacidade dos não dermatologistas (e mesmo de alguns dermatologistas) de diagnosticar a doença numa fase inicial, o que permitiria evitar a perda definitiva do cabelo.

Quando a área de alopécia é estável no tempo e não existem sinais de atividade há mais de um ano, é possível o transplante de cabelo. É prudente efetuar uma prova com alguns folículos e avaliar a sobrevivência dos mesmos após um ano. Em caso de sucesso, então avançar com o transplante. No longo prazo, a sobrevivência do cabelo transplantado é menor que nas pessoas sem doença, e isto deve ser explicado ao paciente antes de efetuar o procedimento.

Rui Oliveira Soares (dermatologista)

alopecia fibrosante frontal

É muito importante olhar para a perda progressiva das sobrancelhas e/ou para o recuo da linha frontal do cabelo com a maior importância. Como vimos o diagnóstico precoce é muito importante para se evitar a perda permanente dos fios.

Conheces alguém com este tipo de queixas?

Fotografia inicial: Márcia Soares

Fotografias de casos clínicos: gentilmente cedidas pelo Dr. Rui Oliveira Soares

 

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