Ser mãe: os segredos da profissão mais desafiante do mundo

ser mãe

Há anos que os meus filhos deixaram de ser bebés. E, se na altura, ser mãe era fisicamente um desafio, hoje em dia as dificuldades são outras, mais exigentes que trocar fraldas ou preparar biberões de 3 em 3 horas. Por isso… bem-vinda ao empolgante universo da maternidade! Neste universo cada dia é uma montanha-russa sem livro de instruções, cheia de surpresas, e, claro, uma pitada generosa de caos organizado. Ser mãe é como embarcar numa aventura onde nunca sabemos exatamente o que esperar, mas em que temos de estar prontas para qualquer coisa. Por isso hoje vou explorar esta profissão única com uma dose saudável de sinceridade.

A diretora-geral do lar: ser mãe é uma ocupação a tempo inteiro

Quem diz ou acha que ser mãe é um trabalho em part-time claramente nunca esteve no comando de uma casa com crianças 24 horas por dia, 7 dias por semana. Como a CEO do lar, uma mãe é encarregada de uma lista interminável de tarefas, desde o planeamento estratégico das refeições até à resolução de crises de proporções épicas, como “a meia desaparecida”, “o brinquedo favorito que se evaporou”, “os materiais que têm de se comprar HOJE para o trabalho de amanhã”, “o arranhão na perna – e agora não se pode lavar no banho senão arde”, “a comichão na cabeça” (falei do tema aqui), “como posso fazer esta borbulha desaparecer até amanhã?” e, claro, o acompanhamento lado a lado, em tempo real, de todas as pequeninas coisas que em idade infantil ou na adolescência são, na verdade, um DRAMA em permanência.

A malabarista das multitarefas: fazer acrobacias com todas as tarefas diárias

Ser mãe exige habilidades de uma malabarista multitarefas dignas de uma artista de circo. Lembro-me de recentemente estar numa reunião de pais online enquanto apanhava e dobrava roupa e estendia uma nova máquina… A roupa… é uma das colossais tarefas de uma mãe que tem de ter sempre tudo em dia, caso contrário vai faltar a t-shirt da ginástica para amanhã ou a saia da farda, pois só há duas e uma rasgou-se enquanto ela corria no recreio da escola. Gerir o guarda-roupa de toda a família é como entrar numa batalha épica contra um exército de meias solitárias, t-shirts que misteriosamente desaparecem e pijamas que já ninguém sabe de que tamanho são e a quem pertencem (pois tive a bela ideia de comprar iguais para toda a família e já estamos quase todos do mesmo tamanho). É um verdadeiro jogo de estratégia, onde dobrar é uma arte e encontrar a peça perdida é uma vitória. Mas, no final do dia, quando todos estão vestidos e prontos para enfrentar o mundo, é difícil não me sentir como uma verdadeira mestre do lar (ou pelo menos uma sobrevivente da lavandaria).

Enquanto vou dando gritos de ordem, como um general na tropa (“Luísa põe a mesa”, “Duarte põe o creme na cara”, “Despachem-se que têm de se deitar cedo”) não há como relaxar pois é preciso pensar nos jantares (felizmente é o meu marido que trata das refeições mas há que decidir, decidir, decidir) enquanto tiro dúvidas de português, apanho toalhas do chão, e tiro pelos do cão do casaco da escola. Uma mãe está em constantes acrobacias. Quem disse que não se pode participar num telefonema importante enquanto se organiza a barafunda da casa? Faz tudo parte do espetáculo.

A conselheira-in-chief: oferecer abraços e conselhos gratuitos

Uma mãe não é apenas uma provedora de cuidados físicos, mas também uma fonte inesgotável de apoio emocional. Seja a consolar um coração desiludido, a acalmar um pesadelo noturno ou simplesmente a ouvir uma história que não termina sobre o dia na escola, uma mãe desempenha também o papel de conselheira a tempo inteiro, oferece abraços, beijinhos e conselhos gratuitos 24 horas por dia. Os conselhos aos filhos? São uma tarefa digna de um filósofo moderno que tem de equilibrar-se sempre com a parte emocional. Orientar os nossos filhos pelo labirinto da vida é uma responsabilidade enorme, uma mistura entre dar asas para voar e segurar a mão para que não tropecem. É equilibrar na corda bamba o amor e a autoridade, transmitir sabedoria e deixá-los aprender com os seus próprios erros. Cada palavra que profiro carrega o peso do futuro deles. Cada conselho é uma semente plantada na esperança de que cresça forte e sábia. E apesar do medo de falhar, é também uma honra para mim e um enorme privilégio poder guiá-los nesta jornada incerta, e saber que estou a moldar os adultos que serão amanhã. Que responsabilidade é maior na vida?

A superheroína disfarçada, que salva o dia, uma tarefa de cada vez (ou todas em simultâneo)

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Quando se trata de enfrentar desafios, uma mãe é uma verdadeira superheroína disfarçada. Pois tem de lidar com birras diárias (vamos para 15 anos, ahahahah!), tratar de nódoas negras com beijinhos mágicos e ter a certeza de que os pequenos almoços, almoços, lanches e jantares são simultaneamente saborosos, minimamente saudáveis e uma novidade, caso contrário o “É isto outra vez” salta do lado de lá. E muitas vezes é mesmo “isto outra vez” pois a CEO da casa está numa crise de cansaço e foi o melhor que conseguiu. Uma mãe está sempre pronta para salvar o dia, uma tarefa de cada vez (às vezes várias em simultâneo). E quando chega a hora de enfrentar uma pequena ou grande dificuldade, quem é que vão chamar? A mãe, é claro! Tenho a sorte de ter um marido que adora ser pai e que está lá sempre, a remar de forma muito sincronizada comigo. É incrível como na “guerra entre crianças e adultos” por vezes quase nos damos por vencidos… mas… não podemos! Seria abrir um precedente. E as crianças agarram-se a precedentes como lapas a uma rocha.

A estrela das gafes tecnológicas

Por último, mas não menos importante, ser mãe é ser-se uma estrela involuntária, que protagoniza os momentos mais engraçados e embaraçosos. Vejamos apenas um deles? As gafes tecnológicas: enquanto tento dominar a tecnologia moderna, é inevitável que ocorram algumas gafes engraçadas porque os meus filhos adolescentes já me sabem ensinar MUITO. Desde como tirar todo o partido do WhatsApp, às siglas mais estranhas (como SLA, TLDR, SRY ou LMAO que usam em mensagens), às acrobacias na Playstation que me parecem mais difíceis que conduzir um carro. Uma mãe tenta adaptar-se às novas tecnologias enquanto para eles é tudo inato. Simultaneamente não pode faltar um “larguem os ecrãs” pois temos horas definidas para tal. Não há vergonha em admitir que às vezes me sinto como uma viajante perdida num mundo tecnológico desconhecido. Afinal, quem precisa de manuais de instrução quando se tem filhos adolescentes para nos orientar no universo digital?

Ser mãe… onde fica o bem-estar e a beleza?

Lembro-me que quando o meu filho era bebé eu não conseguia tomar um banho (a choradeira, o drama, etc… nem um banho de cortina aberta resultava). Pode parecer estranho, e certamente não me aconteceu com a minha filha (aqueles que generalizam sobre crianças como se fossem todas idênticas estão a cometer o mesmo equívoco ao afirmar que todos os adultos são iguais), mas sempre que estava sozinha em casa com o meu bebé Duarte eu não podia enfiar-me na banheira. Ou fazer um xixi sozinha.

Por isso há alturas da vida em que realmente não é possível ser mãe e cuidar de nós.

No mundo da maternidade, cuidar de mim muitas vezes pareceu uma missão impossível. A ideia de ter uma rotina de beleza feita com toda a calma é tão insólita quanto frustrante, especialmente quando as mães são frequentemente criticadas por não priorizarem o seu próprio bem-estar. No entanto, à medida que os meus filhos crescem, encontro cada vez mais espaço e tempo para cuidar de mim, fazer exercício e cozinhar com mais calma, o que é uma conquista pessoal.

Conclusão: a magia da maternidade e o emprego que não trocava por NADA no mundo

Ser mãe é uma profissão verdadeiramente única, repleta de desafios, gargalhadas e, é claro, muito amor. Apesar dos momentos difíceis, das noites sem dormir no início (mesmo assim tive muita sorte, os meus filhos passaram a dormir a noite toda com 1 e 4 meses), são os sorrisos deles, os abraços apertados, os bilhetinhos com palavras queridas e o amor incondicional (que nasce quando nasce uma mãe) que tornam esta jornada verdadeiramente especial. Reconheço que muitas mulheres optam por não ter filhos, seja porque priorizam outras “viagens” ou porque desejam construir uma carreira profissional sólida (eu tive de abandonar a minha carreira corporativa pois não estava presente para a minha família). Outras enfrentam dificuldades financeiras que tornam a ideia de ter filhos uma perspetiva distante. Outras, infelizmente, simplesmente não conseguem.

Para aquelas que decidem embarcar nesta aventura, ser mãe é como abrir um livro repleto de capítulos inesperados, cada um com a sua própria dose de desafios e recompensas. Não há dúvida de que ser mãe exige sacrifícios e renúncias, mas enriquece-me de uma forma que não pode ser medida em termos materiais. E se fosse… seria o tesouro mais raro do mundo. O privilégio de ver os meus filhos a crescer, de testemunhar as suas conquistas e de ser um pilar de amor e apoio nas suas vidas é algo que não trocaria por nada. É uma profissão sem folgas, sem horários fixos, mas recompensadora como nenhuma outra. Ser mãe é assumir um papel de protagonista numa história que se desdobra a cada dia, uma história que me transforma, me desafia e me completa de uma maneira que só quem experimenta pode compreender.

Verdade?

 

Fotografia: Márcia Soares

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