8 erros de skincare provocados pelas redes sociais

erros de skincare

As redes sociais podem ser mais ou menos importantes para a nossa saúde, mas devem, acima de tudo, ser responsáveis. Depois de trabalhar no projeto Beautyst há 3 anos (2 em “direto” e um em backstage), e outros 15 anos na Indústria Farmacêutica, onde fui responsável, na área de Gestão, por lançar inúmeros medicamentos, suplementos, produtos de dermocosmética bem como dispositivos médicos para a área cirúrgica, deparo-me todos os dias com erros que podem arruinar a pele de qualquer pessoa, e por isso hoje decidi enumerar os 8 erros de skincare que as redes sociais podem provocar. Já caíste nalgum deles?

1. Procedimentos médico estéticos feitos “onde calha”

Procedimentos médico estéticos devem ser feitos com um profissional médico experiente. Este é um dos erros de skincare que pode arruinar a saúde da pele ou mesmo a vida de alguém. Infelizmente nas redes sociais vemos diariamente profissionais que não são médicos, não só a fazer preenchimentos e outros procedimentos médico estéticos com injetáveis, bem como a praticar outro tipo de procedimentos que devem estar reservados exclusivamente a médicos experientes da área, como retirar sinais / verrugas.

Retirar um sinal pode ser potencialmente mortal caso se trate de um melanoma (até os médicos mais experientes contam com o apoio da dermatologia para identificar sinais). Todos os dias me cruzo com exemplos destes nas redes sociais. Não só é crime como pode colocar em risco, e de forma grave e permanente, a saúde ou a vida de alguém. Infelizmente o Instagram ainda não consegue “perceber” o que é crime e o que não é quando o assunto é pele (e cabelo). Para quem tem dúvida sobre se o profissional que têm à sua frente é médico (e qual a especialidade), basta colocar o nome nesta página da Ordem dos Médicos.

Esteticistas e outros profissionais como cabeleireiros, não podem fazer este tipo de procedimentos. A ASAE já anunciou uma série de investigações sobre atos médicos ilegais, em notícia de que falei recentemente, aqui.

2. Copiar o produto / rotina de rosto que alguém usa (sem saber qual o seu tipo de pele ou necessidades / objetivos)

Este é um dos erros de skincare mais comuns. A nossa pele é única, tem necessidades próprias e é completamente diferente usar o produto X numa pele mista a seca ou o mesmo produto numa pele oleosa e reativa. Faço questão de falar sobre o meu tipo de pele e sobre as minhas necessidades e objetivos, porque os produtos que eu uso podem não adequar-se a outras pessoas. Os meus “produtos favoritos” são produtos adequados à MINHA pele: mista a seca, com tendência a hiperpigmentar, sensível e que não tolera muitas soluções que existem no mercado (que a sensibilizam). Os produtos que uso visam dar resposta às particularidades da minha pele.

Sempre que falo num produto tenho o cuidado de esclarecer em que situação e como deve ser usado. Se recebo produtos que se destinam a outras peles costumo oferecer para aferir os resultados através dessa experiência (que não pode ser a minha). E na minha pele não faço “experiências”. A minha rotina de rosto é relativamente estanque e é raro introduzir produtos novos. Quando o faço não altero mais nada para perceber “qual a diferença”.

3. Tentar encontrar soluções para melasma, rosácea, acne e outras doenças de pele ignorando a resposta médica

É essencial ser-se aconselhado pelo especialista em pele, ou seja, o médico dermatologista quando existem doenças de pele como estas. Aconselhamento de produtos para acne e para as outras condições de pele, deve ser feito com o devido contexto / disclaimer, explicando que tratando-se de doenças de pele elas requerem tratamento e seguimento médico. Há dermatologistas que se dedicam mais à dermatologia estética e que podem oferecer variadas respostas para o problema de pele que se tenta resolver nas redes sociais, adiando a resolução do mesmo.

Influenciar bem nesta área requer um profundo conhecimento da área da saúde. Na minha página de Instagram tenho diversos Lives feitos em conjunto com médicos, onde esclarecemos como tratar diversas doenças / condições de pele e de cabelo.

4. Não perceber o que é uma campanha de Marketing e achar que “aquele” gadget ou produto é um milagre

Adoro Marketing, mas responsável. É importante enquanto consumidores questionarmos a informação que vemos e procurar fontes fidedignas para tomar uma decisão. Lembro-me há uns anos da “moda” da Foreo. Só se via Foreo nas redes sociais, mal manuseada e indicada por quem não entende nada de pele, como uma solução para todas as pessoas. Não tenho nada contra a Foreo, atenção, aliás, eu utilizo-a e gosto (já explico como). Depois de ter publicado este artigo com a opinião médica de 2 dermatologistas sobre dispositivos de limpeza, incluindo a Foreo, ficou bastante claro que as “modas” não são extensíveis a todas as peles e podem nem estar indicadas a grande parte das pessoas. A minha pele tolera a Foreo para peles sensíveis uma vez por semana, desfasada da esfoliação física. Faço esfoliação ao fim de semana e uso a Foreo a meio da semana. Não mais. Neste artigo expliquei o porquê.

Para além disto, quando qualquer produto ou dispositivo “promete” alguma coisa, temos de perceber quais são os dados de eficácia. Caso contrário é puro marketing. Onde estão publicados? Quem publicou? Quais as reviews? Quem fez as reviews? O que diz a classe médica sobre os mesmos?

5. Retinol, ácido glicólico, vitamina C (e tudo o resto) ao mesmo tempo e sem avaliar a resposta da pele

Quem não gosta de incluir produtos com ingredientes eficazes, estudados há décadas e com resultados comprovados nos sinais de envelhecimento da pele? Mas precisamente por se tratarem de ingredientes que exigem uma correta utilização é importante ter em atenção que: vários ingredientes podem sensibilizar uma pele mais reativa, principalmente se introduzidos em simultâneo e sem avaliar a resposta da pele (e há peles que nem os toleram). Peles mais sensíveis podem não tolerar uma concentração de vitamina C superior a 10% ou sequer tolerar um produto com vitamina C. Peles reativas podem não tolerar o uso de retinol ou retinoides. Peles sensibilizadas podem não tolerar o uso de ácidos esfoliantes, como o ácido glicólico e outros. E muitas peles não toleram, sequer, perfume na composição de produtos.

Uma rotina de pele que FUNCIONA não é suposto sensibilizar a pele. É suposto FUNCIONAR. Este tipo de ingredientes deve ser introduzido com atenção, devagar, e com método. Para avaliar a resposta da pele é importante introduzir um produto de cada vez e dar-lhe várias semanas de uso. Devem ser sempre cumpridas as recomendações da marca. Uma vez mais, peles com acne, rosácea, melasma e outras condições / doenças de pele devem pedir aconselhamento ao dermatologista e não fazer “experiências”. O barato pode sair caro. Na minha página de Instagram, tenho vários Lives com médicos, onde falamos sobre a utilização de produtos cosméticos como estes já referidos.

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6. Nem tudo se resolve com cremes (cremes que apagam noites mal dormidas..?)

As pessoas, hoje em dia, querem respostas e milagres para todas as situações. E vou dar um exemplo. Na semana passada estava a olhar para a minha pele ao espelho e sentia-a muito suave, hidratada, luminosa. A resposta? Eu sabia qual era. Boas noites de sono, boa alimentação, exercício, claro que em conjunto com bons cuidados de pele. Se dormir poucas horas durante dias ou se a minha alimentação for um “lixo” a qualidade da pele muda drasticamente: fica baça, com textura, opaca, sem viço, desidratada, com linhas (e não há produto algum que altere isso). Há uns anos, quando andava naquela louca vida corporate lembro-me de uma colega me ter dito: “O que se passa com a tua pele, Joana? Está baça, sem vida”. Eram as noites de 4 horas de sono. E eu sabia-o muito bem. Às vezes o segredo é tão simples como dormir convenientemente. Não é à toa que se fala em sono de beleza e existe uma razão para isso. Já falei sobre este tema com todo o pormenor aqui. E às vezes o problema é também a alimentação.

7. Vivermos obcecadas em atingir a perfeição, quando a perfeição são filtros e Photoshop

Tornou-se uma obsessão querermos uma pele perfeita? Gosto muito da minha pele (e tive sorte com a genética). Tem sinais da idade que tenho (quase 43 anos), o que é perfeitamente natural. Afinal é pele! Não é suposto ser perfeita ou capa de revista. Desde o início deste projeto que decidi não retocar as minhas fotos porque não me faz sentido. Penso que para quem me vê pode criar uma imagem falsa daquilo que sou. No entanto sinto que estão a ser dados passos importantes neste sentido, como por exemplo o início da obrigatoriedade de identificação de imagens com filtro nas redes sociais. Os filtros criam imagens sem imperfeições. Alguns escondem absolutamente TUDO. Mas isso está longe de ser a realidade. Isso coloca outras mulheres sob pressão porque pensam que não são normais e deviam ser iguais à pessoa que viram. Por isso também gosto de mostrar em diversas Stories que faço, o #SEMFILTRO para que se perceba a diferença.

Assim nunca vamos envelhecer “bem” porque nada disto é real. Este é um dos erros de skincare mais comum. Melhorar e cuidar da nossa pele sim, mas sem cair na obsessão do irreal. A obsessão pode levar à compra de um excesso de produtos, excesso de ingredientes potencialmente sensibilizantes, excesso de passos, excesso de experimentação, o que só irá produzir o efeito oposto do pretendido.

8. Não se conhecer a lei do medicamento e não se saber que certos produtos divulgados não o podem ser, à letra da lei

Trabalhei em Marketing Farmacêutico durante 15 anos. Cada frase escrita, cada comunicação proferida aos profissionais de saúde, tem de estar devidamente suportada por CIÊNCIA. E o Infarmed aprova cada vírgula. A lei do medicamento é muito clara! Não é permitido falar em nomes de medicamentos à população em geral, seja em que suporte for (incluindo as redes sociais). E há “cremes” que são medicamentos, e fala-se deles como se fossem “produtinhos de beleza”. Depois existem as queixas, a descamação, a sensibilidade da pele e os erros atrás de erros. Enquanto profissional da área fico preocupada. Infelizmente o Infarmed não monitoriza as redes sociais, nem as próprias redes sociais “sabem” fazer esse trabalho.

 

Estes são os 8 erros de skincare que mais frequentemente vejo nas redes sociais. Já caíste nalgum deles?

 

Fotografia: Márcia Soares

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2 comentários

  1. Laudina Cecilio diz:

    Tens tanta razão, tenho mesmo muito para aprender e não ir a correr usar tudo e mais alguma coisa. Até hoje com 46 anos maoy entendo a minha pele, antes era normal, agora e seca numas zonas oleosa noutras, nunca sei que produtos posso misturar. As marcas que são milhares..etc .

    1. Joana Alvares diz:

      Sim, verdade, a nossa pele também se altera com a idade e mesmo ao longo do ano. Um grande beijinho! Joana

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