Beautyst Interview – Mafalda Beirão (2a parte)

mafalda beirão

Já mostrei aqui a conversa que tive com a Mafalda Beirão sobre várias rotinas e produtos de beleza. Hoje trouxe outras questões de que falámos. Temas preferidos desta entrevista? Muitos. A sua luta contra o body shaming, a comparação com a inatingível forma física e fisionomia alterada pelas estrelas milionárias e a procura por pessoas reais com as quais cada vez mais nos identifiquemos.

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P: Se encontrasses um ex namorado, o que te deixaria mais desconfortável? Estares sem maquilhagem? Cabelo num dia mau? Teres engordado? Uma roupa desadequada? Outro?

R: É sem dúvida o ter ganho peso. Mas isso para mim é um soft spot. No fim de semana passado, pela primeira vez fui ao centro comercial sem maquilhagem e ia arranjar as unhas. Eu não uso muita maquilhagem, às vezes ponho mesmo só corretor. Quando saí de lá o Uber para minha casa estava o triplo do preço e como estava ao lado da Amoreiras pensei: “Vou às Amoreiras, mas estou sem maquilhagem!”. Fui na mesma. Acho que já ultrapassei isso de não estar com maquilhagem.

mafalda beirão

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P: Se daqui a 20 anos olhasses para trás qual gostavas que fosse o teu maior achievement enquanto influencer?

R: Eu acho que toda esta minha luta contra o body shaming e contra a aceitação, que muitas das vezes é mais para me convencer a mim do que propriamente para ajudar alguém, por muito egoísta que isto possa parecer – é aquele discurso que tenho para os outros, mas que sinto que estou a fazer para mim. Mas sei que posso influenciar positivamente as pessoas com esse meu discurso e já fico feliz se puder ajudar uma pessoa. Fico muito contente quando recebo mensagens de raparigas que dizem que foram comprar uma saia, porque me viram de saia mesmo não vestindo o 36 (não é porque não vestes o 36 que não podes usar uma saia) – isso faz-me sentir bem. Se daqui a 20 anos eu sentir que tive impacto naquilo que não é normativo, eu acho que já fico feliz. Não temos todos de ser iguais, não temos todos de encaixar em quadradinhos.

mafalda beirão

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P: Em termos de beleza, como te vês aos 60 anos?

R: Não sei… acho que me continuo a ver muito cuidadosa e muito vaidosa. A minha avó, que já tem 80, diz que agora é que está a ficar enrugada. Mas quero sentir que vou continuar a ter cuidados e vou chegar aos 60 anos com vontade de cuidar de mim.

Vou assumir os cabelos brancos sem dúvida, até porque não volto a pintar o cabelo! Faz parte! E fica tão bem. Mas se daqui a uns anos eu sentir que tenho rugas e pés de galinha e precisar de fazer alguma cirurgia para corrigir, também a farei, sem problemas. Mas não quero chegar aos 60 a achar que tenho 20. Nem agora eu quero achar que tenho 20. Vamo-nos sentindo cada vez mais confortáveis com a nossa idade. Eu não trocava os meus 30 pelos meus 25! Já não me faz diferença. Desde que eu esteja bem comigo mesma, está tudo bem. Nem sempre estou, mas quase sempre.

mafalda beirão

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P: Botox, detox, no tox ou outro tox?

R: Tudo é válido desde que nos faça sentir bem. Se for detox, o nosso organismo tem mecanismos para o fazer por si mesmo. Por isso sinto que não é necessário, por uma questão de saúde. Agora em relação ao botox, se queremos, por que não? Mesmo que aos olhos da sociedade pareçamos umas Barbies ou uns Kens, com uns lábios volumosos, qual é o problema? Ninguém tem nada a ver com isso.

P: Escolhe uma: boa pele ou boa maquilhagem?

R: Uma boa pele! Mas isso é uma coisa que se vai adquirindo com a idade! Se calhar se fosse há 5 anos atrás eu dizia uma boa maquilhagem. A minha pele nunca foi má. Eu nunca tive acne nem outro tipo de problemas. Mas a confiança de poder sair de casa sem maquilhagem faz diferença. Por isso, sem dúvida uma boa pele!

mafalda beirão

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P: A tua beleza não é convencional, no entanto tu és uma mulher lindíssima. Sentes que as imagens de perfeição amplamente divulgadas nas redes sociais contribuem para quê, na nossa sociedade?

R: Às vezes as imagens nem são retocadas. Mas vejo um exemplo: todas as mulheres que a maioria de nós idolatramos, as modelos da Victoria Secret, as Kardashian, etc, são pessoas que têm tempo, dinheiro e oportunidade para terem acompanhamentos nutricionais impecáveis, para fazerem treinos e terem os melhores a treiná-las e que nós não podemos ter. Se calhar se estivéssemos no mesmo nível delas até estaríamos melhor que elas. Mas essa não é a nossa realidade. Ainda assim massacramo-nos porque não conseguimos chegar lá. Mas é normal que não consigamos. E não há nada de mal com isso. Mas isto das redes sociais também tem muito a ver com as pessoas que seguimos, com quem nos identificamos. E nos últimos tempos tenho descoberto miúdas plus size com uma figura incrível. Comecei a segui-las porque me identifico mais com essas pessoas. Mesmo que eu veja uma pessoa muito magra e goste de ver, eu sei que vou sentir uma frustração porque nunca vou ser magra, nunca vou conseguir estar naquela praia das Maldivas que ela publicou com aquele corpo e com aquela roupa. Também passa muito por aquilo que nós escolhemos ver e quem seguimos. E cada vez mais há espaço para estas várias realidades. Não podemos almejar ser uma Kim Kardashian que tem um cozinheiro a trabalhar para ela, que tem o PT a treinar com ela, que tem dinheiro para comer as melhores saladas do mundo. A nossa realidade não é essa. Cada vez as pessoas procuram menos o “falso”. Há muitos anos atrás eu revoltava-me quando uma rapariga magra se queixava das suas pernas. Mas fiz um caminho, é uma aprendizagem. Há dias maus, há dias bons. Hoje sei que todas as mulheres podem queixar-se de algo no seu corpo. Não temos de nos comparar com outros tipos de corpos diferentes.

Mafalda Beirão

mafalda beirão

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Grande lição que me deu a Mafalda sobre corpos diferentes, sobre sentir orgulho no nosso corpo. Sobre gostarmos de nós e não aspirarmos a ser algo que nunca poderemos vir a ser! Obrigada, Mafalda.

Espaço: A BASE

Coffee break: Bit by Bit

Fotografia: Márcia Soares

 

 

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