Hiperidrose ou excesso de transpiração – como tratar?

excesso de transpiração

O que é a hiperidrose? Excesso de transpiração? Produção excessiva de suor? O que é possível fazer? Este é um tema que me é particularmente sensível, uma vez que passo por episódios de excesso de transpiração, nomeadamente nas axilas, mas também, e sobretudo na altura do calor, na zona do peito, costas e até na cabeça. Já fiz em tempos um tratamento com toxina botulínica nas axilas que foi bastante eficaz. Entretanto, e uma vez que o antitranspirante que utilizo é muito eficaz, acabei por não voltar a fazer. Hoje, e com a ajuda da Dra. Filipa Ventura, dermatologista no Porto, e que tenho recomendado tantas vezes para as minhas leitoras da zona norte do país, vamos desmistificar este tema. Hiperidrose, o que é e como abordar?

O que é a hiperidrose? Hiperidrose primária e secundária

Dra. Filipa Ventura: A hiperidrose é uma doença caracterizada pela produção excessiva e inadequada de suor. Atinge cerca de 1% da população geral e afeta homens e mulheres de todas as idades.

É importante distinguir hiperidrose primária e secundária. A hiperidrose primária é definida por sudação excessiva, visível, em área focal (axilas, palmas, plantas e região craniofacial) com pelo menos 6 meses de duração e sem causa aparente. Associam-se a pelo menos dois dos seguintes critérios:

  • idade de início antes dos 25 anos
  • bilateral e relativamente simétrica
  • história familiar positiva (há um componente hereditário)
  • repercussão na atividade quotidiana
  • ocorre pelo menos uma vez por semana
  • ausência de sudação durante o sono

Pode ocorrer espontaneamente ou ser desencadeada/agravada pelo stress, ansiedade, calor, exercício físico, álcool, picantes e tabaco.

A forma secundária pode estar associada a várias doenças como a diabetes, hipertiroidismo, doenças neurológicas, tuberculose e tumores. Tem características clínicas diferentes (sudação generalizada ou em localizações atípicas, ocorre durante o sono e geralmente surge na idade adulta) e exige uma investigação. A gravidez, a menopausa e a obesidade são outras condições que podem estar associadas a hiperidrose. Pode ainda ser um efeito lateral de um medicamento (por exemplo antidepressivos).

Hiperidrose primária

A causa da hiperidrose primária é desconhecida mas sabe-se que resulta da hiperestimulação das glândulas sudoríparas écrinas, pelas fibras colinérgicas do sistema nervoso autónomo (aspeto importante para uma melhor compreensão dos tratamentos disponíveis). Apesar da sua função termorreguladora indispensável, o suor excessivo tem um impacto significativo na qualidade de vida pessoal e profissional dos pacientes. Evitam-se os apertos de mão, escondem-se as embaraçosas manchas de suor nas axilas e, nos casos mais graves, o contacto social fica reduzido ao imprescindível.

O tratamento da hiperidrose primária é uma escalada que se inicia no tratamento tópico. Quem sofre deste problema deve começar por experimentar produtos com sais de alumínio (antitranspirantes). Existem várias marcas disponíveis, sob a forma de pó, roll on, spray, creme e toalhitas. Estes sais de alumínio formam uma película protetora e temporária sobre os poros das glândulas produtoras de suor, reduzindo a quantidade de transpiração. Sugere-se, geralmente, aplicação à noite, numa pele seca e não irritada, alguns dias seguidos e depois manutenção 2 a 3 vezes por semana.

Estas são apenas algumas sugestões de produtos:

Em roll on:

1. Driosec (aqui), 2. Spirial (aqui), 3. Driclor (aqui)

 

antitranspirante roll on

Em roll on:

4. Anhidrol (aqui), 5. Uriage (aqui)

 

antitranspirante

Em spray:

1. Spirial (aqui), 2 Anhidrol (aqui)

antitranspirante spray

Em gel / creme:

1. Driosec gel (aqui), 2. Spirial creme (aqui)

antitranspirante cremeEm pó:

1. Driosec (aqui)

antitranspirante po

Em toalhitas:

1. Hiposudol (aqui)

antitranspirante toalhitasIontoforese na hiperidrose

A iontoforese é definida como a passagem de uma substância ionizada através da pele intacta por aplicação de corrente elétrica direta. Trata-se de um método eficaz, nalguns casos, para o tratamento da hiperidrose palmo-plantar. O mecanismo de ação da iontoforese não é completamente entendido, no entanto, a constrição das glândulas sudoríparas pela corrente elétrica e produção de um tampão córneo, são sugeridos como um possível mecanismo. O paciente coloca as mãos ou pés num tabuleiro com água corrente que se liga a um campo elétrico de 15-20mA. No início as sessões são diárias, com duração de 30 minutos e quando há um controlo efetivo da sudorese passam para dias alternados, depois semanais, chegando a uma manutenção mensal. O aparelho pode ser adquirido na internet para uso domiciliário (por exemplo Drionic® e Hidrex®). A principal limitação é o investimento num aparelho sem garantia da sua eficácia.

Medicamentos para a hiperidrose

Algumas classes de fármacos orais podem ser experimentadas, nomeadamente os fármacos anticolinérgicos (o sistema nervoso simpático atua por meio da acetilcolina nas glândulas sudoríparas écrinas). Deste grupo, salienta-se a oxibutinina que deve ser iniciada com doses baixas, aumentando-se gradualmente conforme a tolerância do paciente. Os efeitos laterais que podem surgir são secura da boca, retenção urinária, taquicardia, distúrbios da visão, entre outros. Os betabloqueadores e psicofármacos também podem ser prescritos neste contexto.

Tratamento da hiperidrose com toxina botulínica

A toxina botulínica do tipo A tem sido usada com eficácia e segurança no tratamento da hiperidrose axilar, principalmente, mas também na hiperidrose palmar. O seu mecanismo de ação consiste na inibição temporária da libertação de acetilcolina dos neurónios que enervam as glândulas sudoríparas. As maiores desvantagens da sua utilização são o preço, a dor provocada pela aplicação e a duração de ação limitada. A duração do efeito terapêutico tem uma grande variabilidade interindividual, cerca de 4 a 6 meses. Saliento que a maioria dos nossos pacientes fica muito satisfeito com o resultado e verifica-se que os intervalos livres de sintomas têm tendência a aumentar com os tratamentos.

Tratamento da hiperidrose com MiraDry

Mais recentemente, surgiu um tratamento com micro-ondas (MiraDry®) para o tratamento da hiperidrose axilar. Este procedimento consiste no aquecimento controlado da camada da pele onde estão localizadas as glândulas do suor, até as vaporizar e eliminar. Após uma ou duas sessões consegue-se uma redução do suor excessivo, em média, de 80%.

Em Lisboa, o tratamento com MiraDry pode ser realizado na Clínica Corporacion Dermoestética na Rua Castilho. No Porto, é possível fazer este tratamento na Allure Clinic pela Dra. Joana Carvalho, cirurgiã vascular.

miradry

Cirurgia para a hiperidrose – simpatectomia

No topo da pirâmide, para os casos mais graves que não respondem aos tratamentos menos invasivos, temos a cirurgia – simpatectomia torácica endoscópica. Este tratamento consiste na interrupção de um nervo, o simpático torácico, cuja hiperestimulação é a responsável pela sudorese excessiva observada nas mãos e axilas. Trata-se de uma cirurgia simples realizada em regime ambulatório ou com 1 dia de internamento. A complicação mais frequente é a hiperidrose compensatória e desempenha um papel fundamental na determinação do nível de satisfação do paciente. Caracteriza-se por um aumento da sudorese nas regiões do corpo que previamente apresentavam uma sudorese normal. Surge, habitualmente, no dorso, região abdominal e/ou membros inferiores.

Filipa Ventura (dermatologista)

 

Um dos tratamentos que irei experimentar é o medicamentoso, após ter falado com o Dr. Rui Oliveira Soares, o dermatologista que tem gerido toda a terapêutica para tratar a minha alopécia androgenética. O Dr. Rui referiu que posso ter bons resultados com a oxibutinina, uma vez que tenho uma transpiração generalizada e incomodativa, especialmente observada na altura de maior calor, mas que por vezes também é desencadeada por períodos ou momentos de maior stress. Qualquer uma destas opções deve ser avaliada em consulta de dermatologia. A hiperidrose é algo de muito incomodativo, e com o tratamento certo, orientado por quem sabe, é possível melhorar muito a qualidade de vida.

Tens queixas com excesso de transpiração? Fazes algum tipo de tratamento?

Fotografia: Márcia Soares

Montagens: Beautyst

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2 comentários

  1. Ana Portelinha diz:

    Olá. Gostei muito do artigo.
    Tenho hiperhidrose nas axilas, mãos e pés, desde nascença, assim como o meu irmão. Apesar de nenhum dos nossos pais apresentarem a doença.
    Já usei driclor e apesar de funcionar deixa-me desconfortável o facto de ficar com “bolinhas” de água em cada poro.
    Também tenho alopécia androgenetica e ao ler o seu artigo cada vez acho mais que poderá ter a ver com a hiperhidrose.
    Obrigada e continue com os artigos fantásticos.

    1. Joana Alvares diz:

      Olá Ana! Muito obrigada pelo teu feedback. Por vezes também fico com essas “bolinhas” de água que referes, mas é quando, por exemplo, faço exercício físico e há uma quantidade maior de transpiração. Caso contrário não fico e estou muito satisfeita com o Spirial, que é o antitranspirante que uso há vários anos. Não tenho conhecimento que haja relação entre a alopécia androgenética e a hiperidrose. Um beijinho! Joana

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