Celulite – como abordar e tratar? (segundo a dermatologista)

celulite como tratar

Desde que comecei o projeto Beautyst, que recebi várias sugestões sobre este tema: celulite – como abordar e tratar? Isto porque facilmente se percebe que é uma área em que existem muitas falsas “soluções milagrosas” e por isso é tão importante desmistificar. Todas temos celulite. Todas ou quase todas, e existem razões fisiológicas para isso acontecer. Os cremes resultam? As massagens resultam? Como se pode tratar a celulite? Pedi à Dra. Marisa André para nos elucidar sobre este tema, que também me interessa. Apesar de ser magra, tenho celulite, embora muito pouca. Mas gosto de não descuidar o tema.

P: Como abordar e tratar o tema celulite?

R: De forma simplificada, pode pensar-se na celulite como o resultado de pequenas protusões de gordura (tecido adiposo que se encontra debaixo da pele), como se de pequenas hérnias de gordura se tratassem.

A diferença entre o homem e a mulher

A estrutura do tecido adiposo e dos septos fibrosos deste tecido subcutâneo de suporte é distinta no sexo feminino e no sexo masculino. Nas mulheres os septos estão orientados perpendicularmente à pele e os lóbulos de gordura são maiores e mais retangulares. Contrariamente à disposição dos septos em cruz relativamente à superfície da pele nos homens e com lóbulos de gordura de menores dimensões, o que justifica a maior incidência de celulite nas mulheres.

Para além da predeterminação genética para a existência de celulite, há uma série de alterações morfológicas, metabólicas, vasculares, endocrinológicas e hormonais que determinam modificações estruturais nos tecidos subcutâneos e na sua interação com a pele e que conferem aquele aspeto de pele retrátil ou em “casca de laranja”.

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E a relação celulite e obesidade?

A celulite resulta de uma transformação e alteração complexa nos tecidos subcutâneos intersticiais e não de uma acumulação de gordura. Como tal, a perda de peso não implica necessariamente uma perda de celulite. E daí não ser infrequente vermos mulheres consideradas magras com mais celulite que outras que até entram num grupo aceite como mais obesas.

O que é a subcisão?

Nos estadios avançados de celulite (a celulite pode ser classificada em várias fases consoante a gravidade), os tais septos fibrosos espessos que existem no tecido subcutâneo “repuxam” a superfície cutânea, dando um aspeto côncavo, deprimido. A subcisão consiste na “libertação cirúrgica” desses septos (eliminando essa retração).

Que tratamentos não-invasivos existem?

Os mais divulgados atualmente são a criolipólise, a radiofrequência, LLLT (o designado low-level laser therapy), ultrassons, tratamento com ondas acústicas, tratamento com dióxido de carbono e exercício vibracional.

Que tratamentos (minimamente) invasivos existem?

Faz sentido referir estes tratamentos, na medida em que grande parte de alguns aparelhos não-invasivos não conseguem levar à libertação completa dos septos fibrosos, possuem maior capacidade de recuperação da elasticidade/consistência original da pele (o que pode ser um problema que advém após alguns procedimentos bastantes eficazes na diminuição da gordura como a lipoaspiração, mas que podem acentuar a celulite) e têm um efeito substancial na lipólise (degradação da gordura, com efeitos metabólicos consideráveis e que vão para além do aspeto estético da questão).

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Atualmente, já existem aparelhos que permitem uma subcisão guiada (sendo possível a sua realização com anestesia local, menos complicações imediatas como sejam os hematomas, com um resultado que pode ser notório até 3 anos); existem aparelhos de microneedling subcutâneo acoplados a radiofrequência fraccionada; LASERs que podem ser associados a outros procedimentos (i.e. lipoaspiração) e que são eficazes em três aspetos distintos e fundamentais na obtenção de um bom resultado: eliminam os septos fibrosos, “derretem” o tecido adiposo (em excesso / dismorfe) e aquecem a camada profunda da derme que contribui para uma contração benéfica no aspeto da superfície cutânea.

Todos estes procedimentos referidos atrás implicam cuidados pré e pós-procedimento para que os resultados sejam satisfatórios.

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Abordagem holística e personalizada

À semelhança de qualquer outra doença / questão médica e / ou estética, é importante ressalvar a necessidade de uma abordagem holística do tema e uma abordagem personalizada em função de cada um de nós! Cada vez se fala mais em medicina funcional, e é de facto importante uma alteração de comportamentos (e muito importante na manutenção de resultados obtidos com tratamentos), na medida em que a alteração genética (ainda!) não é possível e a herança individual de cada um é fator incontornável.

Não esquecer a importância da dieta equilibrada, da hidratação, do controlo do peso evitando as oscilações “iô-iô”, a evição de vestuário constritivo, a prática de atividade física (a marcha, i.e., não precisamos todos de ser ultramaratonistas), a eventual suplementação oral e a otimização hormonal adaptada a cada indivíduo.

Por último, o aspeto primordial: gerir expectativa! “O bom é inimigo do ótimo” e, por vezes, o somatório de pequenas vitórias pode convergir num resultado consideravelmente apelativo, saudável e REAL.

Marisa André (dermatologista)

Outra questão que falei posteriormente com a Dra. Marisa foi em relação a cremes e massagens. No meu caso, que faço massagens redutoras, sinto que ajudou a minimizar o “problema”, mas eu tinha muito pouca celulite. A Dra. Marisa referiu que existem pessoas a quem a massagem pode ser benéfica, mas também o contrário. Relativamente aos cremes, são uma pequenina ajuda. Todas as restantes formas de tratamento mencionadas acima, bem como a abordagem holística do tema serão fundamentais e uma consulta médica (antes de decidires gastar rios de dinheiro em tratamentos). Se os cremes podem dar uma ajuda? Existem várias opções mas não milagrosas. Ainda assim algumas linhas recomendadas pela Dra. Marisa: Defence Body ReduxCell, Modelift da Martiderm, linha Elancyl e B-lift SPA.

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Fotografia: Yellow Savages

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2 comentários

  1. Sílvia Duarte diz:

    Olá! Excelente artigo! Porém, fiquei com uma dúvida. Em que situação a Dra. Marisa desaconselha a massagem? Tem a ver com o tipo de celulite, o grau evolutivo? Obrigada

    1. Joana Alvares diz:

      Olá Sílvia! A Dra. Marisa não a desaconselha. O que acontece é que há pessoas que fazem massagens redutoras, diminuindo o volume em várias zonas. Quando diminuímos de volume a celulite pode ficar mais visível. Mas é uma experiência pessoal. Um beijinho! Joana

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