Tratamento medicamentoso e alopécia: 20 questões

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Quem, como eu, tem uma alopécia androgenética, quer estar sempre em cima da última novidade em tratamento! Porque este é um tema sobre o qual recebo sempre tantas perguntas, decidi trazer um conjunto das dúvidas mais colocadas sobre tratamento medicamentoso e alopécia androgenética e ainda a avaliação de um dermatologista com esta área de diferenciação, o Dr. Rui Oliveira Soares, sobre as últimas novidades em tratamento!

Tratamento medicamentoso e alopécia androgenética – as 10 dúvidas mais frequentes

1. Existe tratamento não medicamentoso para a alopécia androgenética? Em que situações faz sentido? Infelizmente o único tratamento não medicamentoso para a alopécia androgenética com resultados evidentes é o transplante de cabelo. Mesoterapia, PRP, micro-agulhamento, laser e uso de células estaminais são tratamentos dispendiosos e com eficácia nula ou muito pequena comparativamente ao elevado custo. A boa notícia é que o tratamento medicamentoso é habitualmente eficaz e seguro.

2. Como escolher entre os vários medicamentos usados na alopécia? Como em toda a medicina, cada caso é um caso, já que não há 2 pessoas iguais. A idade, doenças da pessoa, a tolerância aos medicamentos, a possibilidade de engravidar em breve e o padrão facial e corporal de pêlo são os fatores importantes na escolha.

3. Qual o medicamento mais eficaz para a alopécia androgenética, dos vários existentes? Posso comparar o meu caso à eficácia do tratamento noutra pessoa? O medicamento mais usado é o minoxidil (seja por via tópica ou oral). Pessoas diferentes respondem de forma muito diversa a cada medicamento.

4. A finasterida só tem aprovação formal na alopécia androgenética masculina. É segura a sua utilização na mulher? O uso de finasterida e outros andrógenos não está aprovado em mulheres. Usados de forma adequada são muito seguros. Redução da libido é o efeito adverso mais frequente, seguido de alterações menstruais e tensão mamária. Cerca de uma em seis mulheres pode ter um efeito adverso mas em geral são leves e desaparecem com o tempo na maioria dos casos mesmo sem interromper.

5. Quando deve uma mulher interromper o tratamento medicamentoso antes de tentar engravidar? E quando pode recomeçar no pós-parto? Depende de 2 fatores: da possibilidade de fazer mal ao feto e da semi-vida do medicamento. Medicamentos de semi-vida curta, como o minoxidil, podem ser interrompidos só no momento em que se conhece a gravidez. Os anti-andrógenos de semi-vida longa devem ser interrompidos 1 mês antes – finasterida – ou 3 meses antes – dutasterida. Após o parto, a amamentar, não deve fazer medicação. Logo que não amamente pode começar o quanto antes, embora o minoxidil agrave o deflúvio (queda de cabelo pós-parto) inicialmente pelo que é prudente não o fazer coincidir com o deflúvio pós-parto, porque aumentará o susto.

6. Durante a gravidez e a amamentação pode fazer-se algum tratamento para a alopécia androgenética? Tratamentos eficazes, não.

7. O tratamento medicamentoso é eficaz sempre? Como atrás explicado, não. A eficácia depende de pessoa para pessoa, e esse é apenas um dos motivos para não se faltar à consulta de revisão. O tratamento pode deixar de ser eficaz, sim. Basicamente a conjugação genética + idade a dada altura pode ganhar a batalha ao medicamento. As consultas de revisão são imprescindíveis para afinar o tratamento.

8. O tratamento tem de ser feito para o resto da vida? Há riscos para a saúde fazendo tratamento medicamentoso para a alopécia androgenética? A nossa genética é para a vida e por isso o tratamento tem que ser feito sempre. Não há, documentados em trabalhos credíveis, riscos importantes para a saúde associados ao tratamento, mesmo que de muito longa duração.

9. É correto escolher entre tratamento medicamentoso ou terapêuticas complementares (como o microneedling, PRP e outras)? Como atrás explicado, o tratamento medicamentoso é muito eficaz e acessível e os tratamentos complementares são caros e pouco eficazes. Mas a escolha final é sempre do paciente e o médico deve respeitar.

10. Pessoas que não fazem tratamento medicamentoso para a alopécia androgenética por terem lido efeitos secundários ou relatos na internet, o que devem fazer? A desinformação é frequente. O paciente deve aconselhar-se com o dermatologista, que é o especialista que domina esta área e consegue ponderar o risco / benefício de qualquer tratamento.

10 novidades no tratamento medicamentoso para a alopécia androgenética

Existem algumas “novidades” no tratamento da alopécia androgenética (insights do Congresso da European Academy of Dermatology and Venereology – EADV) no entanto algumas ainda são experimentais e outras têm eficácia limitada ou um custo demasiado elevado para a eficácia demonstrada. A avaliação do Dr. Rui Oliveira Soares sobre cada uma das novidades.

  • Minoxidil oral – um dos tratamentos mais promissores na AAG (usado entre 0,5-2,5 mg nas mulheres e 2,5-5,0 mg nos homens) Muito útil. Avaliação de 10 em 10
  • Finasterida 0,25% spray – eficácia similar à finasterida 1 mg oral e perfil de segurança útil em alguns casos. Tratamento caro. Avaliação de 8 em 10 (já foi abordado este tema aqui)
  • Mesoterapia com dutasterida – 0,01% mensal (3 sessões) ou 0,025% a cada 3 meses / pode ser uma opção em que pessoas que não querem tomar finasterida ou dutasterida oral / mais eficaz se associada a minoxidil oral. Funciona. Muito cara e sem vantagem, agora que há finasterida tópica que funciona. Avaliação de 4 em 10
  • Bicalutamida oral – doses entre 10-50 mg por dia / antiandrogénico de nova geração mais seguro que a flutamida e eficaz na AAG feminina / melhora a densidade capilar e a seborreia / Interessante em mulheres pré-menopausa com seborreia / Monitorizar função hepática / suspender 2 meses antes de engravidar. Pode ajudar. Sem ganho comparativo a finasterida. Avaliação de 2 em 10
  • Espironolactona – de 50 mg até 100 – 200 mg por dia / principal efeito secundário: tonturas / segura em mulheres que tiveram cancro da mama / associação com minoxidil oral pode ser considerada em adolescentes do sexo feminino com AAG. Muito útil em associação. Avaliação de 9 em 10
  • Espironolactona tópica – gel a 1% na AAG feminina e masculina. Pouca utilidade clínica. Avaliação de 2 em 10
  • Cetirizina tópica – solução a 1% na AAG masculina. Sem comprovada eficácia. Avaliação de 1 em 10
  • Toxina botulínica – 100 U distribuídas por 30 pontos + minoxidil oral acrescenta eficácia ao minoxidil oral isolado (necessidade de mais estudos / tratamento dispendioso). Sem comprovada eficácia e seria incomportável em termos de preço. Avaliação de 1 em 10
  • Fios de PDO – sessão única / ativam genes relacionados com o cabelo, libertação de fatores de crescimento e estimulação de células estaminais / crescimento capilar apreciável. Ainda experimental
  • Novas moléculas (investigação) – Anticorpo monoclonal inibidor do recetor da prolactina (HMI-115) / Pirilutamida: estudos de fase II / GT20029: degrada o recetor dos androgénios, primeiro PROTAC tópico, estudos de fase I. Ainda experimental

Rui Oliveira Soares, dermatologista

Faço tratamento medicamentoso para a alopécia androgenética há quase 14 anos. Avalio com regularidade e ajusto a terapêutica sempre que necessário, ou quando a eficácia do tratamento deixa de ser a mesma. Existem muitas opções terapêuticas para a alopécia androgenética, e todas as dúvidas devem ser esclarecidas com o médico dermatologista. O facto de um tratamento ser eficaz para uma pessoa não significa que seja eficaz para outra. A medicina não tem uma só resposta para a alopécia androgenética e, por isso, o conselho que posso dar é: fazer uma revisão anual do tratamento e levar todas as dúvidas apontadas para a consulta médica!

 

Fotografia: Márcia Soares

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