O futuro da dermatologia já começou e conheci-o antes do tempo

futuro da dermatologia

Uma das coisas que mais gosto no meu trabalho é conhecer as novidades antes de chegarem ao mercado. Há um momento em que um produto deixa de ser apenas mais um lançamento. É quando percebemos tudo aquilo que aconteceu muito antes de chegar às prateleiras. Gosto, não só, de experimentar a inovação, mas compreender por que nasce. Foi exatamente isso que encontrei no International Forum of Dermatology (IFD), organizado pela Pierre Fabre Dermo-Cosmetics, um encontro internacional que reuniu jornalistas especializados, dermatologistas, investigadores e equipas científicas de todo o mundo para discutir aquilo que poderá transformar a dermatologia nos próximos anos. O futuro da dermatologia já começou e conheci-o antes do tempo.

Muito mais do que cosmética

IFD Pierre Fabre 2026 Lisbon futuro da dermatologia

futuro da dermatologia IFD Pierre Fabre

Durante o evento tive acesso privilegiado às estratégias de investigação da empresa, conheci em primeira mão as próximas inovações das diferentes marcas do grupo – Avène, Ducray, René Furterer, A-Derma, Klorane e Dexeryl – e entrevistei Audrey Ricard Campion, Diretora de Investigação & Desenvolvimento da Pierre Fabre Dermo-Cosmetics. Mais do que uma apresentação de produtos, foi uma visão sobre aquilo que será o futuro da saúde da pele. E esse futuro começa muito antes de existir um produto cosmético. É o futuro da dermatologia.

Quando pensamos na Pierre Fabre, é fácil lembrar-nos de marcas como Eau Thermale Avène ou Ducray. Mas aquilo que muitas pessoas desconhecem é que a empresa nasceu da visão de um farmacêutico apaixonado pela investigação médica. Esse ADN continua profundamente presente. Ao longo do congresso, ficou evidente que a abordagem da Pierre Fabre continua assente numa ideia muito simples: desenvolver dermocosméticos com base em conhecimento médico e científico, procurando responder a patologias reais da pele e não apenas a necessidades estéticas.

Os números ajudam a perceber a dimensão do desafio. Segundo dados apresentados durante o congresso, 2,8 mil milhões de pessoas vivem atualmente com algum tipo de doença dermatológica como a acne, rosácea, eczema, dermatite atópica, hiperpigmentação ou queda de cabelo. Patologias diferentes, mas com algo em comum: têm um enorme impacto na qualidade de vida de cada pessoa.

O consumidor mudou. E a ciência terá de mudar com ele.

futuro da dermatologia

Um dos momentos mais interessantes do evento foi a apresentação das grandes tendências que estão a transformar a dermatologia. A Pierre Fabre realizou um estudo internacional que envolveu 50.000 pessoas, distribuídas por 20 países e cinco continentes, para compreender como evoluíram as expectativas dos consumidores relativamente aos cuidados da pele. As conclusões foram claras. O consumidor atual está muito mais informado, lê estudos, conhece ingredientes, compara evidência científica e procura resultados. Mas, ao mesmo tempo, vive com patologias cada vez mais complexas, frequentemente associadas a outras doenças, fatores ambientais, estilo de vida, microbioma ou envelhecimento. Ou seja, já não basta tratar um sintoma, é necessário compreender a pessoa.

O futuro da dermatologia: da dermatologia linear para a dermatologia personalizada

futuro da dermatologia IFD Pierre Fabre

IFD Pierre Fabre Avene 2026 Lisbon acne Comedomed

Hoje, explicou a equipa científica da Pierre Fabre, a maioria dos tratamentos continua a seguir um modelo relativamente simples: existe um sintoma e escolhe-se um ingrediente. Obtém-se uma determinada ação biológica. Mas este modelo poderá mudar profundamente nos próximos anos. Grande parte dessa transformação será impulsionada pela inteligência artificial. Durante a apresentação foi mostrado como a integração de milhares de dados clínicos (sintomas, fotografias, história clínica, ambiente, genética, microbioma e estilo de vida) poderá permitir compreender muito melhor aquilo que realmente acontece na pele de cada pessoa. Em vez de tratar apenas a acne, por exemplo, será possível perceber por que razão aquele tratamento funciona num doente e falha noutro. E isso é particularmente relevante quando sabemos que cerca de 30% dos tratamentos atualmente utilizados para a acne não produzem os resultados esperados. Mais do que melhorar uma fórmula, o objetivo passa por melhorar vidas.

“A longevidade não é viver mais. É viver melhor.”

futuro da dermatologia IFD Pierre Fabre Audrey Ricard Campion

Quando lhe perguntei quais seriam as maiores tendências científicas e dermatológicas para os próximos cinco anos, Audrey Ricard Campion, Diretora de Investigação & Desenvolvimento da Pierre Fabre Dermo-Cosmetics, não hesitou. A longevidade será uma das grandes áreas de desenvolvimento. Mas não apenas no sentido de aumentar a esperança média de vida. Falamos sobretudo da qualidade dessa vida, da forma como envelhecemos, da forma como mantemos a saúde da pele durante décadas. E de como a ciência poderá ajudar a preservar essa qualidade durante mais tempo. Ao mesmo tempo, acredita que ingredientes biotecnológicos, proteínas e novas abordagens baseadas em biologia molecular estão apenas no início do seu verdadeiro potencial. Segundo explicou, continuamos a conhecer apenas uma pequena fração daquilo que a natureza ainda nos poderá ensinar.

Sustentabilidade sem comprometer a eficácia

futuro da dermatologia Klorane

Uma das perguntas que mais curiosidade me despertava dizia respeito à sustentabilidade. Será que desenvolver produtos cada vez mais sustentáveis implica, inevitavelmente, abdicar da eficácia? A resposta foi imediata. “Não”. Segundo Audrey Ricard Campion, esse compromisso simplesmente não existe. O verdadeiro desafio não está em escolher entre natureza e ciência. Está em aprender a utilizar os recursos naturais sem retirar mais do que os ecossistemas conseguem regenerar. Foi uma resposta que resume bem a filosofia da Pierre Fabre Green Mission. Mais do que procurar ingredientes naturais, importa garantir que esses ingredientes continuam disponíveis para as gerações futuras. Isso implica proteger a biodiversidade, trabalhar diretamente com comunidades locais, estabelecer limites de exploração dos recursos naturais e desenvolver cadeias de abastecimento responsáveis. Como explicou, se a natureza apenas consegue fornecer uma determinada quantidade de matéria-prima, então essa deverá ser também a quantidade utilizada. Não mais.

A inteligência artificial vai acelerar a inovação. Mas não vai substituir a ciência.

futuro da dermatologia Avene Activ Procedure

Outro tema incontornável foi a inteligência artificial. Perguntei-lhe de que forma a IA poderá alterar o desenvolvimento de novos produtos. A resposta foi particularmente interessante. Segundo explicou, a IA permitirá acelerar fases de investigação, simular milhares de hipóteses e reduzir significativamente o número de testes necessários nas fases iniciais. Mas existe uma linha que nunca será ultrapassada: a validação clínica, a segurança e a evidência científica. Esses continuarão sempre a ser os pilares fundamentais da investigação da Pierre Fabre. Gostei particularmente de uma ideia que partilhou: na investigação, falhar faz parte do processo. O importante é falhar depressa. Quanto mais cedo uma hipótese é descartada, mais rapidamente os recursos podem ser direcionados para soluções verdadeiramente promissoras.

No futuro da dermatologia, nenhuma empresa consegue inovar sozinha

futuro da dermatologia IFD Pierre Fabre

Outra das mensagens fortes da entrevista foi a importância da inovação aberta. De acordo com Audrey Ricard Campion, nenhuma empresa consegue desenvolver conhecimento isoladamente. Ou seja, universidades, hospitais, centros de investigação, start-ups e empresas tecnológicas – todos fazem parte do mesmo ecossistema científico. É precisamente essa colaboração que permitirá acelerar o desenvolvimento de novas soluções para doenças dermatológicas cada vez mais complexas.

No futuro da dermatologia as mulheres ainda têm um papel decisivo por conquistar

Guardei uma das últimas perguntas para um tema que me é particularmente querido. “Enquanto mulher e líder numa das maiores equipas de Investigação & Desenvolvimento da dermocosmética mundial, que conselho daria às jovens investigadoras?” A resposta foi tão simples quanto inspiradora. “Continuem curiosas”. Segundo Audrey Ricard Campion, a curiosidade continua a ser o maior motor da ciência. Mas deixou também um alerta importante. Ainda existem poucas mulheres em posições de liderança científica, especialmente em áreas como a inteligência artificial, ciência de dados e desenvolvimento de algoritmos. E isso poderá influenciar a forma como os produtos do futuro são desenhados. Se os algoritmos forem construídos maioritariamente por homens, existe o risco de refletirem apenas parte da realidade. Precisamos de mais mulheres na ciência, na tecnologia e mais mulheres a desenvolver as soluções que irão cuidar da saúde de milhões de outras mulheres.

As novidades das marcas

IFD Pierre Fabre futuro da dermatologia

Ao longo do evento foi ainda possível conhecer as próximas inovações das diferentes marcas da Pierre Fabre Dermo-Cosmetics. Cada uma continua fiel ao seu posicionamento próprio, mas todas partilham a mesma base científica e médica. A Eau Thermale Avène continua a reforçar a investigação em pele sensível e microbioma. A Ducray aposta cada vez mais em soluções para patologias capilares e do couro cabeludo. A René Furterer e a Klorane continuam a investir na saúde do cabelo através da combinação entre ativos botânicos e a investigação clínica. A A-Derma mantém o foco nas peles frágeis e na dermatite atópica. E a Dexeryl continua a consolidar-se como referência no tratamento da xerose e de patologias associadas à secura cutânea.

Mais do que lançar novos produtos, percebe-se que existe uma estratégia consistente de inovação sustentada por investigação. E sim, já tive a oportunidade de conhecer todos os produtos que o grupo vai lançar num futuro próximo (o que me deixou bastante entusiasmada!).

O futuro da dermatologia será mais inteligente. Mas continuará a ser profundamente humano.

Saí deste congresso com a mesma sensação com que costumo sair dos melhores eventos científicos. A inovação não nasce de um ingrediente da moda, nem de uma embalagem bonita. Nasce de anos de investigação, de milhares de horas de laboratório, de perguntas difíceis, de equipas multidisciplinares e da vontade de melhorar, ainda que um pouco, a vida de quem vive diariamente com uma doença da pele. Talvez seja essa a maior conclusão do International Forum of Dermatology.

A inteligência artificial vai transformar a forma como compreendemos a pele. A biotecnologia vai permitir desenvolver soluções que hoje ainda parecem impossíveis. Mas continuará a existir algo que nenhuma tecnologia substituirá: a curiosidade científica. E foi precisamente essa curiosidade que encontrei em cada conversa, em cada apresentação e em cada pessoa que tive oportunidade de conhecer durante este evento. Se o futuro da dermatologia começa na investigação, tive o privilégio de o ver nascer um pouco mais cedo.

 

Fotografia: fotografias gentilmente cedidas pela Pierre Fabre. Fotografia de produto: Andreia Fonseca

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